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Trade quer ampliar turismo de eventos no interior do Estado. NEGÓCIOS DN

9 de abril de 2019

Regiões como Sobral e Cariri representam pontos estratégicos para o crescimento da atividade no interior, segundo empresários do setor. Só em Fortaleza, turistas corporativos deixaram R$ 549,6 milhões no ano passado. 
Players do trade turístico apresentaram, ontem (9), balanço do segmento corporativo do Estado Foto Fabiane de Paula

Players do trade turístico apresentaram, ontem (9), balanço do segmento corporativo do Estado Foto Fabiane de Paula

A vocação turística do Ceará para além do lazer terá um olhar mais apurado nos próximos anos. Diante de um impacto de R$ 1,3 bilhão na economia da Capital cearense e gasto médio de R$ 2,3 mil por pessoa que vem a Fortaleza com essa finalidade, diluir a expansão do turismo de eventos para outros pontos estratégicos do Estado é visualizado pelo trade como uma das chaves para explorar de forma eficiente o potencial de ampliação desse segmento.

A avaliação tem como base a divulgação de dados que associam o turismo de eventos a um cenário pujante. De acordo com pesquisa elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Ceará (Fecomércio-CE), em parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor) e Visite Ceará/Fortaleza Convention & Visitors Bureau – associação formada por players do trade com atuação voltada para o turismo de negócios e eventos, com apoio da Câmara Setorial Turismo e Eventos do Ceará, foram deixados R$ 549,6 milhões pelos turistas que vieram a eventos em Fortaleza no ano passado. Além disso, esse segmento foi responsável por uma arrecadação de R$ 190,06 milhões e geração de 47,12 mil novos empregos, entre formais e informais.

Na avaliação do presidente da Fecomércio-CE, Maurício Filizola, é importante também olhar para os potenciais presentes em outras regiões do Estado. “Às vezes, se olha apenas para a Capital, mas temos regiões muito receptivas e com uma beleza natural surpreendente. Esse turista vem a um evento e aproveita para conhecer o local”, explica.

Ele ressalta ainda a importância de movimentações geradas por meio de parcerias público-privadas no desenvolvimento do Ceará e que isso ajuda a impulsionar esse tipo de turismo. “O Estado todo está sendo contemplado com rotas turísticas, infraestrutura nos aeroportos regionais e isso faz com que tenhamos o desenvolvimento não apenas em uma região”, detalha Maurício Filizola.

Arte Turismo de Negócios 2019

Para a coordenadora do curso superior de Tecnologia em Eventos da Unifor, Milena Auip, as parcerias público-privadas representam importante estratégia para o desenvolvimento local. “Fortaleza trabalha hoje para ser referência e o Ceará já é visto com bons olhos quanto ao turismo de eventos. Temos bons espaços de eventos e observamos uma importante melhoria na malha aérea, mas ainda precisamos melhorar a infraestrutura e qualificação para poder receber esse turista”, avalia.

Sazonalidade
Diante dos números, ela acredita que o turismo de eventos deve ser explorado a ponto de o Ceará se desvencilhar da sazonalidade da alta estação. “A gente tem a possibilidade de minimizar a questão da sazonalidade do turismo. Quanto mais eventos são realizados, mais renda é deixada aqui, mais se desenvolve a economia e menos a gente depende de momentos específicos de alta estação”, destaca Milena.

Um dos pontos estratégicos do interior do Estado com potencial para o turismo de eventos, na avaliação da vice-presidente do Visite Ceará/Fortaleza Convention & Visitors Bureau é a região do Cariri, Ivana Bezerra. “Nós temos vários polos bastante ricos, a exemplo do Cariri, que tem um bom centro de convenções e que pode ser trabalhado na vertente do turismo religioso ou do turismo de negócios, levando em consideração que estamos falando de um polo calçadista bastante rico”, avalia, destacando ainda o potencial da cidade de Sobral.

Gargalos
Além dos gargalos enumerados por quem lida diariamente com a atividade, a pesquisa aponta ainda outras direções críticas em relação à estadia desse viajante na Capital. De acordo com o estudo, que contemplou uma amostra de 3.308 entrevistados participantes de 26 eventos em 2018, todos os serviços de infraestrutura analisados apresentam nota abaixo de 70. A pior avaliação foi observada no item “Segurança Pública”, com 51,7 pontos. A maior nota ficou com “Serviço de Transporte” (68,4 pontos).

A presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da Fecomércio-CE, Circe Jane Teles da Ponte, considera que todos os dados apurados indicam que o turismo de eventos é um importante vetor da economia que precisa ser trabalhado. “Temos um potencial enorme e, com esses números, é possível pensar em políticas públicas pensadas nesse sentido”.

Para nortear as decisões sobre o turismo local com base em pesquisas no setor, a Secretaria do Turismo de Fortaleza (Setfor) se prepara para ter, até o fim de 2019, um observatório do turismo. A iniciativa faz parte do pacote de requalificação da Avenida Beira Mar e representa uma demanda antiga do setor, de acordo com a própria Pasta.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste.

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