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Comércio cobra do Governo do Ceará previsibilidade para a retomada das atividades, mesmo com a pandemia – OP

2 de maio de 2020

Para o setor, flexibilização da abertura de lojas poderia ser tomada a partir de 15 de maio, com esperança de retomada plena em junho. A ideia é que haja permissão para que mais segmentos possam funcionar, conforme fez o Governo Federal
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Comércio sofre impacto da pandemia e aumenta o desemprego

Comércio sofre impacto da pandemia e aumenta o desemprego

o mesmo dia em que o governador Camilo Santana (PT) falou em medidas mais duras e prorrogou, à noite, o decreto de isolamento social contra o coronavírus, o comércio cearense, um dos setores mais afetados pela crise, com perdas financeiras que já acumulam R$ 1,26 bilhão, cobrou do Governo do Estado, na manhã de ontem, uma estimativa de quando as atividades poderão ser retomadas.

Em videoconferência para divulgar o documento “Premissas Básicas para Retomada Gradual”, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Ceará (Fecomércio-CE), Maurício Filizola, sugeriu que, a partir do dia 15 de maio, a reabertura fosse flexibilizada, com mais segmentos podendo abrir as portas. Segundo ele, a “esperança” é de que o setor retome sua “plenitude” em junho, mas apenas se houver condições seguras para que isso ocorra.

Com 72% de seus estabelecimentos fechados por conta das restrições atualmente impostas no Ceará, o comércio solicita que o Estado siga as diretrizes do Governo Federal, que por meio do Decreto 10.329/20, já inseriu no rol de atividades essenciais muitos segmentos que ainda estão proibidos de funcionar no Ceará, como estabelecimentos de locação de automóveis e o comércio atacadista e varejista de suprimentos para informática. “Queremos uma abertura de forma gradual e responsável, em setores que tenham uma movimentação pequena e que possam proteger seus colaboradores e clientes“, diz Filizola.

No que depender do governador, porém, a retomada do comércio não deve acontecer tão cedo. No mesmo momento em que a videoconferência da Fecomércio-CE acontecia, ele afirmou, em suas redes sociais, que não hesitará em endurecer as ações para conter a disseminação do coronavírus.

À noite, o governador, juntamente ao prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), e os titulares estadual e municipal da Saúde, Dr. Cabeto e Joana Maciel, anunciaram a prorrogação do isolamento social pela quarta vez. “Esse não é o momento de flexibilizar. É o momento de ampliar ainda mais as medidas. Não há menor possibilidade de qualquer flexibilização na Capital cearense”,
frisou Camilo”.

Segundo Filizola, o governo estadual não tem “colocado claramente” quais são as estimativas para a retomada da atividade econômica. Mesmo que não seja dia 15, ele cobra uma posição. “A (Secretaria da) Saúde precisa definir um data, nem que isso seja alterado depois. É responsabilidade do Estado dar essas previsibilidade para que os setores aguardem o retorno e possam se organizar para a retomada”, afirmou. “Se eu tenho a previsão de que daqui a 15 dias poderei funcionar, posso preparar meu pessoal, renegociar dívidas e avisar à clientela”, complementa.

No documento divulgado ontem, a Fecomércio-CE revela que a movimentação de consumidores recuou 76% em relação ao fluxo usual e que, atualmente, o setor possui quase 170 mil colaboradores paralisados. O relatório reforça que uma retomada gradual consideraria “a adoção de protocolos setoriais econômicos, priorizando setores da economia mais vulneráveis e com menos risco de contaminação”. Ademais, a entidade sugere algumas premissas que poderiam contribuir para a medida, tais como avaliação das regiões da cidade/Estado por nível de risco; acompanhamento de ‘mapas de calor’ para flexibilizar considerando áreas onde haja um maior controle da situação; e a observação da capacidade dos serviços de saúde.

Mas, o infectologista Keny Colares, médico do Hospital São José, alerta que a sobrecarga no sistema de saúde do Estado está aumentando “de forma a levar ao limite”, e que uma possível flexibilização, neste momento, seria bastante preocupante. “A lógica seria ser ainda mais radical nas medidas de contenção. Sei que o governador deve estar pesando os prós e contras, mas afrouxar o isolamento seria como você entrar de carro numa curva e acelerar para ver o que acontece”. Ele acrescenta que, dentro de 15 dias, pode até ser que “o pior momento já tenha passado”, mas isso não é garantido. “Espero que daqui a duas semanas estejamos observando queda no número de casos, mas atualmente estamos chegando no pico. É uma loucura pensar em um afrouxamento neste momento”.

Atividade econômica e a crise do coronavírus

1. Governo do Ceará

Governo criou comissão para discutir um cronograma de flexibilização do isolamento social para a retomada das atividades comerciais
Como funciona: A Sesa definirá os critérios técnicos e epidemiológicos que integrarão o planejamento da gradual e segura retomada do crescimento econômico. Atuarão como órgãos auxiliares técnicos do Grupo de Trabalho: Ipece, IPCD e o Observatório da Indústria do Sistema Fiec.
O que será feito: Os membros vão assessorar o chefe do Executivo no estabelecimento de políticas e diretrizes voltadas ao desenvolvimento econômico, propondo a edição de normativos, a celebração de acordos ou a promoção de reformas estruturais. Também será realizada análise das provocações do comércio e setores que questionarem a necessidade de ampliação das atividades essenciais excepcionadas da vedação ao funcionamento durante a pandemia.
Premissa: Boas práticas serão estabelecidas para que haja alinhamento do setor econômico com as orientações das autoridades públicas relativas ao combate da Covid-19, pois a saúde é a prioridade do Governo do Estado.

Fonte: Governo do Estado

2. Comércio

Setor pede uma retomada consciente e gradual para “salvar, além de vidas, empregos” e apresenta dados para embasar a solicitação

Participação dos setores nos postos de trabalho do Estado

Setor              Empregos gerados                Participação
Serviços          412.1072                             8,00%
Indústria         288.192                              19,58%
Comércio        306.962                               20,86%
Agricultura      21.922                                1,49%
ADM pública    392.510                              26,67%
Total               1.471.704                           100%

Impactos da Covid-19 na economia cearense

Cenário           PIB (%)                          Valores reais (R$)
Otimista           0,75                                   2,7 bilhões
Provável           -2,1                                   7,5 bilhões
Pessimista        -4,2                                   11,1 bilhões

Até o dia 7 de abril, o comércio cearense foi impactado desta forma

Perda financeira de R$ 1,26 bilhão
72% dos estabelecimentos do varejo fechados
Movimentação de consumidores recuou 76% em relação ao fluxo usual

Perspectiva dos empresários cearenses

89% avaliam impacto na capacidade de pagar a folha de salário
63,9% estão com dificuldades no pagamento de fornecedores
46,8% estimam restrições para quitar impostos
31,1% apontam dificuldades no pagamento de empréstimos e financiamentos
61,8% defendem a abertura dos estabelecimentos

Premissas para retomada gradual da atividade econômica

Compatibilizar a saúde e economia com a flexibilização que virá com a retomada gradativa, considerando segurança, efetividade.
Esta retomada gradual depende e devera considerar a situação e capacidade dos serviços de saúde.
Avaliação das regiões da cidade/Estado por nível de risco (gerenciar e controlar a flexibilização do isolamento).
Acompanhamento de ‘mapas de calor’ sobre o crescimento da Covid-19 para flexibilizar considerando áreas onde haja um maior controle da situação.
Avaliar constantemente regiões onde e necessária a manutenção do quadro de isolamento social.

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Diálogo e transparência
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