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Motoristas voltam a fechar dois terminais – DN Cidade

9 de dezembro de 2010

Pelo segundo dia consecutivo, motoristas paralisam atividades contra o não julgamento do dissídio coletivo

Quem foi aos terminais de Antônio Bezerra e Parangaba durante o dia de ontem presenciou manifestações de motoristas, trocadores e fiscais de ônibus. Apesar de não ter havido o quebra-quebra do dia anterior, o protesto interrompeu viagens e fez com que as pessoas abandonassem o interior dos ônibus antes da chegada dos terminais.

As ameaças de que novas paralisações venham a acontecer a qualquer momento continuam.

Cedo da manhã, os diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro-CE) estiveram reunidos no sentido de formular uma estratégia de paralisações, que tanto implicaria os terminais, quanto as garagens e, até, abordagem aos motoristas nas vias públicas.

Somente por volta das 10 horas, após reunião que durou mais de uma hora a portas fechadas, foi definida a estratégia dos motoristas, trocadores e fiscais do transporte público de Fortaleza enquanto aguardam o julgamento do dissídio coletivo.

Os desconfortos por mais uma paralisação dos ônibus causou indignação para a costureira Maria Rosana Santos. Ela havia saído do Frotinha de Antônio Bezerra, onde foi tratada de dores na perna, em direção a sua residência no Quintino Cunha. Em vista do bloqueio das passagens e a não entrada dos ônibus ela ficou retida no Terminal de Ântônio Bezerra, durante o tempo de protesto.

O deficiente visual José Tavares também reclamou das sistemáticas paralisações dos ônibus. “Saímos de casa sem ter uma certeza se vamos chegar ao nosso destino e quando retornaremos às nossas casas”, diz.

A diferença com relação ao dia anterior é que não houve, na parte da manhã, a quebradeira de retrovisores e nem pneus furados. Para tanto, guardas municipais, com o apoio da Polícia Militar, estiveram posicionados em locais estratégicos, fora do terminal, monitorando as investidas dos militantes sobre os motoristas e trocadores.

Muitos motoristas foram orientados para dar a volta no entorno do terminal e seguir pela Avenida Mister Hull, onde à altura da igreja de Antônio Bezerra, os ônibus embarcavam passageiros para outros bairros ou terminais.

O presidente do Sintro-CE, Domingos Neto, informou que os terminais seriam os mais visados nas atividades de mobilização da categoria. Ele observou que essa movimentação terá prosseguimento até o julgamento do dissídio.

“Nosso objetivo é chegar ao local de trabalho de nosso sindicalizado e dar-lhe ciência sobre o movimento e a dificuldade que estamos encontrando para o julgamento de nosso reajuste”, afirmou Domingos Neto.

Enquete
População reclama
“Sou estudante de Física e hoje (ontem) serei prejudicado porque não chegarei a tempo para a aula. Fiquei triste.”

Duarte José
19 anos
Estudante

“Por mais uma vez, desisti de ir à aula já no terminal quando vi a movimentação pela paralisação. Isso sempre me causa prejuízo.”

Camila Teixeira
14 anos
Estudante

“Estou num emprego novo e ia a um treinamento. Com a paralisação, estou impedida de participar do curso.”

Glaucimeire Alves de Souza
36 anos
Vendedora

À TARDE
Manifestação bloqueia Parangaba por uma hora
Por volta das 15 horas de ontem, os ônibus que deveriam entrar no Terminal de Parangaba tiveram as viagens interrompidas. Passageiros foram obrigados a descer dos veículos, sendo impedidos de chegar a seus destinos sem pagar por mais uma passagem. Muitas pessoas tiveram que caminhar pela Avenida Godofredo Maciel sem saber qual opção tomar. Uma das entradas do terminal, a que fica na Rua Eduardo Perdigão, foi bloqueada pelos manifestantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro-CE) e pelos apoiadores da central sindical Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas).

Polícia
Com o uso de carro de som, os diretores de ação sindical explicaram, durante uma hora, as razões da manifestação. Logo em seguida, policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar e do Comando Tático Motorizado (Cotam), intervieram para que o fluxo ficasse livre. Com os ônibus parados pelas ruas, o trânsito próximo ao terminal também ficou prejudicado.

O Comandante da 7ª Companhia do 5º Batalhão Policial Militar, major PM João Farias Batista, disse que a manifestações estavam e permanecerão sob controle. “Estamos aqui para garantir o direito de ir e vir no espaço público”, enfatizou.

As paralisações relâmpagos continuarão, durante toda a semana, de acordo com o diretor sindical do Sintro-CE, Tobias Brandão. “Não podemos informar horário nem local. O sigilo é nossa única arma de mobilização”. Ainda de acordo com ele, ir aos terminais é a melhor estratégia para comunicar-se com os trabalhadores. “Como não se trata de greve, os motoristas continuam trabalhando e não podem ir ao sindicato, desta forma, não podemos fazer assembleias contando com a participação da categoria. Daí, temos que ir aonde eles estão”.

Mesmo que por pouco tempo, no período da tarde a manifestação tomou grandes proporções porque o Terminal da Parangaba é um dos que tem maior circulação. Por ele passam cerca de 210 mil pessoas por dia. Durante o ato dos trabalhadores, os ônibus não puderam sair do terminal, ocasionando atrasos nas viagens.

MARCUS PEIXOTO/JANAYDE GONÇALVES
REPÓRTER

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=899012

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