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Ano começa com 10 mil ambulantes no Centro – DN Cidade

3 de janeiro de 2008

PÓS-FESTAS (3/1/2008)

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Ocupando ruas e praças, os vendedores ambulantes dificultam o trânsito de pedestres no Centro J. LUÍS

Ontem, no primeiro dia útil de 2008, foi visível o crescimento desordenado do comércio informal no Centro de Fortaleza

De forma desordenada, os vendedores ambulantes se instalaram ontem nas ruas do Centro de Fortaleza, atrapalhando a movimentação de pedestres e fazendo concorrência desleal aos lojistas, que estimam em 10 mil o número de trabalhadores na área.

A presença de ambulantes no Centro — vendendo desde borrachas para panela de pressão como também artigos importados, roupas, óculos, relógios, dentre outros — sempre foi uma constante. Entretanto, mesmo após a explosão de compras das festas do fim do ano, ontem, no primeiro dia útil do ano, ainda era grande a quantidade deles espalhados pelas ruas, galerias e calçadas em busca da melhor venda.

Usando o espaço público do Centro , os trabalhadores informais dificultam, muitas vezes, a passagem dos pedestres. A presença dos ambulantes divide opiniões. Por um lado, justamente por não terem obrigações, como pagamentos de taxas e impostos, oferecem produtos com preços bem abaixo do mercado, sem, via de regra, garantia de qualidade.

“Os informais vêm invadindo as principais artérias de forma desordenada, se instalando nas praças e calçadas; em frente e em baixo das marquises das lojas, afetando de modo a rotina dos compradores e, conseqüentemente, o montante de vendas dos contribuintes do setor formal, que geram renda, empregos diretos e indiretos”, denuncia o presidente da Associação dos Empresários do Centro de Fortaleza (Ascefort), João Maia Santos Júnior.

Segundo ele, a quantidade de camelôs e ambulantes aumentou de forma grandiosa. “Fiscalização no Centro só para o lojista. Nunca se viu fiscalização para os informais”, reclama João Maia.

Além disso, a presença dos informais se reflete nas vendas do comércio formal. Conforme o presidente da Ascefort, as vendas no Centro caíram 40%, em relação o mesmo período do ano passado.

Já o presidente da Ação Novo Centro, Riamburgo Ximenes, considera que a situação está ruim para todos. Segundo ele, o Centro tinha cerca de três mil ambulantes, sendo dois mil no Beco da Poeira e 926 nas ruas. Hoje, estimam que sejam mais 10 mil ambulantes. “Desordenado do jeito que está, é o caos. Sofrem o lojista e a população”, destaca.

Ele ressalta que os empresários e lojistas não são contra os ambulantes, porque muitos deles também começaram na informalidade. “Cidades como Recife e João Pessoa retiraram 100% dos ambulantes das ruas e colocaram em locais específicos, como o Beco da Poeira. Falta interesse político para acabar com essa situação que tira a beleza de Fortaleza”, disse. Acrescenta que, para cada ambulante que entra no Centro, são dois empregos formais a menos. “Os lojistas amargam prejuízo”, finaliza.

CONTROVÉRSIAS

Comércio informal divide a população

“Também tenho família. Preciso trabalhar. Ser ambulante é melhor do que estar roubando e matando das ruas, como muitos”, reclama um camelô, que já está há 15 anos na informalidade na Rua Guilherme Rocha. Arredio a qualquer forma de entrevistas por causa do “rappa” e sem querer se identificar, o ambulante conta que começou a ser informal quando perdeu o emprego de auxiliar administrativo.

O ambulante, que vende produtos importados, destaca que a fiscalização é muitas vezes cruel e consegue acabar com o trabalho de muitos anos num só dia.

A população se divide quanto à permanência deles nas ruas. Alguns consideram ser a atividade uma forma digna de trabalho, enquanto outros acham que atrapalha a livre movimentação de pessoas no Centro. “Não acho que atrapalhe. É uma forma de sobrevivência”, disse a comerciante Cristina Azevedo.

Já o fiscal Adriano Maciel da Silva adianta que o número de camelôs e ambulantes realmente aumentou bastante, desde o meio do mês de dezembro. Para ele, incomoda a sujeira deixadas nas ruas.

Devido à festa de réveillon da Prefeitura de Fortaleza, a equipe de fiscais do Município, que trabalhou até o dia amanhecer, teve ontem o dia de folga. Entretanto, a Secretaria Executiva Regional (SER II), através de sua assessoria de imprensa, informou que, no Centro da Capital, 56 fiscais se dividem para dar conta da área que é muito grande.

Conforme o setor, a fiscalização só pode agir e apreender material daqueles ambulantes que não são cadastrados quando estão instalados em algum local inadequado e sem licença. Já com relação aos circulantes, que andam com as mercadorias, fica mais difícil conter a situação, porque é um direito do cidadão a livre circulação.

Paola Vasconcelos
Repórter

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=500609

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