{"id":1692,"date":"2011-02-28T11:06:01","date_gmt":"2011-02-28T14:06:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/?p=1692"},"modified":"2011-02-28T11:18:06","modified_gmt":"2011-02-28T14:18:06","slug":"bolha-de-credito-pode-estourar-a-longo-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/bolha-de-credito-pode-estourar-a-longo-prazo\/","title":{"rendered":"Bolha de cr\u00e9dito pode estourar a longo prazo"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>PERIGO \u00c0 VISTA<\/strong> 28\/2\/2011<br \/>\n<em>O Capitalismo sempre precisou dos pobres para as vendas a prazo. Agora, as classes C e D s\u00e3o as mais assediadas<br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/diariodonordeste.globo.com\/imagem.asp?Imagem=483270\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" title=\"Shandra Aguiar defende a pesquisa e a barganha de pre\u00e7os antes de comprar, al\u00e9m de evitar o desperd\u00edcio como principais caracter\u00edsticas do consumidor consciente ou cidad\u00e3o  KIKO SILVA\" src=\"http:\/\/diariodonordeste.globo.com\/imagem.asp?Imagem=483270\" alt=\"Shandra Aguiar defende a pesquisa e a barganha de pre\u00e7os antes de comprar, al\u00e9m de evitar o desperd\u00edcio como principais caracter\u00edsticas do consumidor consciente ou cidad\u00e3o  KIKO SILVA\" width=\"240\" height=\"160\" \/><\/a><br \/>\n&#8220;A gente se sente mal ao perceber que n\u00e3o valeu nada o tempo em que pagou tudo direitinho. Al\u00e9m das amea\u00e7as que ouvi por telefone, tive o meu cart\u00e3o bloqueado&#8221;. O desabafo \u00e9 da professora Antel Viana Bezerra de Menezes que viu uma d\u00edvida saltar de R$ 2 mil para R$ 4mil e, depois, R$ 8mil pela obra e gra\u00e7a dos juros estratosf\u00e9ricos da financiadora do cart\u00e3o de cr\u00e9dito, em menos de dois anos.<\/p>\n<p>H\u00e1 dez anos, usava o cart\u00e3o e &#8220;pagava direitinho&#8221;, conta. No ano passado, resolveu priorizar a compra da casa pr\u00f3pria e se sentiu numa bolha. &#8220;Passei a pagar apenas o m\u00ednimo&#8221;, lembra. Tentou negociar a d\u00edvida, recebendo proposta para pagar 16 parcelas e a d\u00edvida foi para R$ 8.400,00. Ap\u00f3s acordo, via Procon, vai passar dois anos desembolsando R$ 300,00 ao m\u00eas, com um detalhe: o cart\u00e3o est\u00e1 bloqueado.<\/p>\n<p>O caso da professora n\u00e3o \u00e9 raro e atire a primeira pedra quem nunca cometeu um deslize financeiro. A realidade \u00e9 fruto da falta de educa\u00e7\u00e3o financeira como afirmam os consultores da \u00e1rea. Como uma pe\u00e7a no jogo do cr\u00e9dito, a professora foi descartada, ap\u00f3s sofrer ass\u00e9dio moral, via telefone.<\/p>\n<p><strong>Rem\u00e9dio amargo<br \/>\n<\/strong><br \/>\nSeguindo a filosofia de que rem\u00e9dio amargo \u00e9 que cura, assim pode ser comparado o tratamento que as financeiras d\u00e3o aos clientes, considerados especiais e tratados de maneira cordial, enquanto est\u00e3o dando lucro. Hoje, com um cart\u00e3o apenas, a professora promete: &#8220;Vou controlar melhor minhas contas&#8221;. Seu drama pode ser vivido por muitos dos brasileiros que, a cada dia, s\u00e3o seduzidos pelas benesses do cr\u00e9dito f\u00e1cil.<\/p>\n<p>O cart\u00e3o de cr\u00e9dito, considerado como um mal necess\u00e1rio, \u00e9 apontado como um dos principais respons\u00e1veis pela expans\u00e3o do cr\u00e9dito. Sobre o assunto, o consultor financeiro e especialista em Economia Dom\u00e9stica e Direito do Consumidor, Cl\u00e1udio Boriola \u00e9 incisivo: &#8220;O cart\u00e3o de cr\u00e9dito quer queria, quer n\u00e3o, provoca sempre um desembolso com incerteza na cobertura dos gastos n\u00e3o planejados&#8221;.<\/p>\n<p>O consultor explica que &#8220;o Capitalismo sempre precisou dos pobres para as vendas a prazo para que pudessem ser sugados sem perceber&#8221;. Hoje, os cart\u00f5es de cr\u00e9dito, as vendas a prazo e a &#8220;orgia de 50, 60 e 70% de desconto levam as pessoas ao endividamento&#8221;.<\/p>\n<p>No Brasil, &#8220;a farra do cr\u00e9dito come\u00e7ou ap\u00f3s o mandato de ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, admite Boriola, que destaca o contexto socioecon\u00f4mico do Pa\u00eds naquele momento.<\/p>\n<p>Na sua opini\u00e3o, &#8220;a classe mais empobrecida, viu-se autorizada e facilitada a fazer gastos com as promessas governamentais de que, pagas as d\u00edvidas externas sobraria mais dinheiro para o consumo interno&#8221;. No entanto, adverte que isso n\u00e3o \u00e9 bem verdade, justificando: &#8220;quem faz sua casa sobre barrancos, futuramente, poder\u00e1 advir as intemp\u00e9ries do tempo e do credito e, certamente, haver\u00e1 a &#8220;tisnagem&#8221; da inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Bolha de cr\u00e9dito<br \/>\n<\/strong><br \/>\nPor isso, Boriola n\u00e3o descarta a possibilidade de &#8220;uma bolha de cr\u00e9dito no Pa\u00eds. &#8220;O risco existe. Pode ser a m\u00e9dio ou longo prazo. A facilita\u00e7\u00e3o do financiamento interno aos cidad\u00e3os, que procuram por fundos para aquisi\u00e7\u00e3o de moradias, abertura de empresas, aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e, especialmente, aquelas pessoas que est\u00e3o ainda na informalidade no \u00e2mbito do trabalho s\u00e3o componentes dessa &#8220;bolha de cr\u00e9dito&#8221;, que poder\u00e1 eclodir.<\/p>\n<p>Conforme analisa Boriola, os atuais governantes que encontraram um lastro mais ou menos sedimentado, terem consci\u00eancia de que riqueza se consegue com alta produtividade, trabalho e gastos s\u00f3lidos. &#8220;No Brasil, ainda \u00e9 uma expectativa esperan\u00e7osa, de boa f\u00e9, mas poder\u00e1 falhar&#8221;, esclarecendo que n\u00e3o se constr\u00f3i riquezas sem que haja um lastro forte de economia. Pa\u00edses que enveredaram por essa oferta de cr\u00e9dito acabaram sendo afetados, uma vez que os bancos funcionam como a economia de um povo.<\/p>\n<p><em><strong>IRACEMA SALES<br \/>\n<\/strong>REP\u00d3RTER<br \/>\n<\/em><br \/>\n<em>Fique por dentro<br \/>\n<strong>Na ponta do l\u00e1pis<br \/>\n<\/strong><\/em><br \/>\nO primeiro passo \u00e9 fazer um or\u00e7amento. \u00c9 importante a visualiza\u00e7\u00e3o das despesas<\/p>\n<p>Deve-se tra\u00e7ar uma meta para liquidar as d\u00edvidas, mas sem recorrer a empr\u00e9stimos a juros menores ou agiotas<\/p>\n<p>Outro conselho: esque\u00e7a o cheque especial porque ele n\u00e3o faz parte de sua renda<\/p>\n<p>Procure mudar seus h\u00e1bitos de consumo, evitando compras por impulso e sup\u00e9rfluos<\/p>\n<p>Tente usar apenas um cart\u00e3o de cr\u00e9dito e fuja das compras parceladas com juros<\/p>\n<p>Pague a fatura o total, e n\u00e3o apenas o m\u00ednimo<\/p>\n<p>Pesquise pre\u00e7os e n\u00e3o tenha vergonha de pechinchar. Barganhar pre\u00e7o \u00e9 atitude de consumidor consciente<\/p>\n<p>As anota\u00e7\u00f5es das despesas devem ser di\u00e1rias, incluindo tamb\u00e9m o sonho, que funciona como um est\u00edmulo. Pode ser uma viagem, um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ou a casa pr\u00f3pria<\/p>\n<p>Ter sempre consci\u00eancia de quem compra a prazo paga juros e quem paga juros tem d\u00edvidas. Da\u00ed vem o risco de se tornar inadimplente<\/p>\n<p>Em caso de endividamento, admita o que deve e pague quando e como puder. \u00c9 muito importante n\u00e3o comprometer mais de 30% do or\u00e7amento com cr\u00e9dito e poupar<\/p>\n<p><em>Fonte: consultores financeiros entrevistados<\/em><\/p>\n<p><em>CONSUMO CONSCIENTE<br \/>\n<strong>Popula\u00e7\u00e3o precisa criar novos h\u00e1bitos<br \/>\n<\/strong><\/em><br \/>\nEducar para o consumo. Este \u00e9 um dos principais desafios dos governantes e gestores de pol\u00edticas p\u00fablicas. Caso contr\u00e1rio, dentro de pouco de tempo, ser\u00e1 criada uma gera\u00e7\u00e3o de endividados. A coordenadora do N\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o do Consumidor e Administra\u00e7\u00e3o Familiar, do Departamento de Economia Dom\u00e9stica da Universidade Federal do Cear\u00e1 (Educon\/UFC), Shandra Aguiar, chama a aten\u00e7\u00e3o para dois aspectos do ser humano, inserido no que chama de sociedade do consumo. S\u00e3o eles: necessidades e desejos.<\/p>\n<p>O equil\u00edbrio desse bin\u00f4mio n\u00e3o constitui tarefa f\u00e1cil e requer educa\u00e7\u00e3o. Para algumas pessoas, reeduca\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, para aquelas que j\u00e1 se perderam nas armadilhas da &#8220;sociedade de consumo&#8221; e foram seduzidas pelas ofertas do cr\u00e9dito e at\u00e9 do dinheiro f\u00e1cil. &#8220;Todos n\u00f3s temos necessidades e desejos&#8221;, explica, considerando o hedonismo como uma das caracter\u00edsticas b\u00e1sicas da sociedade contempor\u00e2nea. E \u00e9 justamente essa busca pelo prazer, uma das causas do endividamento das pessoas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que as lojas dos shoppings ficam recheadas de &#8220;promo\u00e7\u00f5es&#8221; sedutoras nos fins de semana. Em especial, nas tardes de domingo, quando ningu\u00e9m quer ficar em casa ou se sentir sozinho.<\/p>\n<p><strong>Sonho imediato<br \/>\n<\/strong><br \/>\nComo \u00e9 infinita a possibilidade de sonhar do ser humano, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito representa uma forma de n\u00e3o adi\u00e1-los e nem fazer sacrif\u00edcios para conseguir a realiza\u00e7\u00e3o de desejos que v\u00e3o desde viagens, carros, t\u00eanis e aparelhos de inform\u00e1tica. &#8220;O ser humano quer se inserir neste contexto social e passar a consumir mais&#8221;, esclarece a professora Shandra. A estrat\u00e9gia \u00e9 utilizar o cr\u00e9dito com prazos el\u00e1sticos. Se a pessoa n\u00e3o for educada financeiramente acaba sendo &#8220;obrigada&#8221; pela sociedade a consumir a fim de conseguir a inser\u00e7\u00e3o em um determinado grupo social, observa.<\/p>\n<p>A professora alerta para o fato de que &#8220;\u00e9 preciso distinguir o que \u00e9 desejo e necessidade&#8221;, e assim fazer um planejamento. Ou seja, o que pode ficar de fora e o que \u00e9 realmente imprescind\u00edvel. &#8220;O planejamento deve levar em conta a possibilidade de cada um&#8221;. Antigamente, n\u00e3o existia o mecanismo do cr\u00e9dito, explica, acrescentando que \u00e9 preciso saber usar as v\u00e1rias formas de financiamento (cart\u00e3o, cheque pr\u00e9-datado). &#8220;O cr\u00e9dito s\u00f3 pode ser usado sem comprometer o or\u00e7amento&#8221;, orienta. N\u00e3o se pode, por exemplo, incorporar o limite do cheque especial ao or\u00e7amento da fam\u00edlia. Como tamb\u00e9m \u00e9 preciso rever os h\u00e1bitos de consumo.<\/p>\n<p><strong>Sustentabilidade<\/p>\n<p><\/strong>Outra quest\u00e3o que vem no bojo do consumismo \u00e9 o cuidado com o meio ambiente. &#8220;\u00c9 preciso evitar desperd\u00edcio e preservar a natureza&#8221;. O que ela chama de consumidor consciente, inclui pechincha e pesquisa de pre\u00e7o antes da compra. Explica que nos pa\u00edses centrais os cart\u00f5es s\u00e3o usados h\u00e1 mais tempo. No Brasil, sua populariza\u00e7\u00e3o ocorreu nos \u00faltimos 20 anos. &#8220;Hoje o acesso chega \u00e0 classe C&#8221; e deve se tornar ainda mais disseminado entre as v\u00e1rias camadas sociais.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o financeira<br \/>\n<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tem idade para saber controlar as finan\u00e7as. A estagi\u00e1ria de Marketing, L\u00edvia Schramm Feitosa, 20 anos, desde os 18 utiliza cart\u00e3o de cr\u00e9dito quando ganhou limite de R$ 1 mil. &#8220;Era alto para quem ainda n\u00e3o trabalhava&#8221;. Nunca teve problema com o pagamento. Hoje, confessa que o controle \u00e9 maior. &#8220;S\u00f3 coloca no cart\u00e3o &#8220;bens mais caros e parcelados&#8221;, diz. &#8220;\u00c9 bom pela facilidade e, agora, eliminei os sup\u00e9rfluos da fatura. A gente tem a ilus\u00e3o de n\u00e3o est\u00e1 gastando&#8221;. (IS)<\/strong><\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"http:\/\/diariodonordeste.globo.com\/imagem.asp?Imagem=483272\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/diariodonordeste.globo.com\/imagem.asp?Imagem=483272\" alt=\"Clique para Ampliar\" width=\"490\" height=\"3240\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Fonte.: <span style=\"color: #003300;\">Di\u00e1rio do Nordeste<\/span><br \/>\n<a href=\"http:\/\/diariodonordeste.globo.com\/materia.asp?codigo=941149\">http:\/\/diariodonordeste.globo.com\/materia.asp?codigo=941149<\/a> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PERIGO \u00c0 VISTA 28\/2\/2011 O Capitalismo sempre precisou dos pobres para as vendas a prazo. 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