{"id":3308,"date":"2007-12-28T20:28:04","date_gmt":"2007-12-28T23:28:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/?p=3308"},"modified":"2011-09-15T20:39:54","modified_gmt":"2011-09-15T23:39:54","slug":"michael-klein-e-casas-bahia-faturamento-bilionario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/michael-klein-e-casas-bahia-faturamento-bilionario\/","title":{"rendered":"Michael Klein e Casas Bahia: faturamento bilion\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 frente de uma verdadeira m\u00e1quina de fazer dinheiro,o empres\u00e1rio consolida o imp\u00e9rio do varejo iniciado 55 anos atr\u00e1s por seu paiia (94 delas na cidade) \u2013,o empres\u00e1rio Michael Klein consolida com faturamento anual de 12,5 bilh\u00f5es de reais o imp\u00e9rio do varejo iniciado 55 anos atr\u00e1s por seu pai.<\/p>\n<div id=\"attachment_3311\" style=\"width: 433px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2007\/12\/Michel-Klein-capa-vejasp-2041.jpeg\" rel=\"attachment wp-att-3311\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3311\" class=\"size-full wp-image-3311\" title=\"Michel Klein, na loja de S\u00e3o Caetano do Sul: aos 18 anos, ele trocou o sonho de ser arquiteto pelo neg\u00f3cio da fam\u00edlia\" src=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2007\/12\/Michel-Klein-capa-vejasp-2041.jpeg\" alt=\"Klein, na loja de S\u00e3o Caetano do Sul: aos 18 anos, ele trocou o sonho de ser arquiteto pelo neg\u00f3cio da fam\u00edlia\" width=\"423\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2007\/12\/Michel-Klein-capa-vejasp-2041.jpeg 423w, https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2007\/12\/Michel-Klein-capa-vejasp-2041-300x132.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 423px) 100vw, 423px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3311\" class=\"wp-caption-text\">Klein, na loja de S\u00e3o Caetano do Sul: aos 18 anos, ele trocou o sonho de ser arquiteto pelo neg\u00f3cio da fam\u00edlia<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Digamos que voc\u00ea leve quinze minutos para ler esta reportagem. Acredita que, ao final de sua leitura, o simp\u00e1tico cinq\u00fcent\u00e3o que ilustra estas e as pr\u00f3ximas p\u00e1ginas ter\u00e1 faturado a bolada de 360 000 reais brutos? Quer dizer, n\u00e3o ele propriamente, mas a empresa que comanda, as Casas Bahia, locomotiva cujo veloc\u00edmetro de vendas, impulsionado por um ex\u00e9rcito de 57.000 funcion\u00e1rios e 565 lojas \u2013 94 delas na cidade de S\u00e3o Paulo \u2013, gira na m\u00e9dia de 24000 reais por minuto. Um ritmo fren\u00e9tico que, \u00e0 primeira vista, parece nada ter a ver com o condutor dessa m\u00e1quina, um homem de poucas e pausadas palavras, express\u00e3o serena e jeit\u00e3o sossegado. Pura impress\u00e3o. Michael Klein, 57 anos, diretor executivo da rede, chega a este fim de ano com faturamento de 12,5 bilh\u00f5es de reais, dos quais 250 milh\u00f5es devem ser o lucro l\u00edquido. &#8220;Gosto muito de velocidade&#8221;, conta ele, dono de uma moto Harley-Davidson V-Rod VRSCA 2003 e f\u00e3 tamb\u00e9m de F\u00f3rmula 1. Isso quando est\u00e1 de folga. Nas doze horas di\u00e1rias de trabalho, acelera entre um compromisso e outro a bordo de um de seus dois helic\u00f3pteros Agusta ou dos avi\u00f5es Cessna Sovereign, Cessna Excel e King Air. Acelera, ainda, gra\u00e7as aos quinze cafezinhos puros que bebe todo dia \u2013 apesar de ter press\u00e3o de 14 por 9, que controla com rem\u00e9dios, e uma gastrite cr\u00f4nica. &#8220;Se vai piorar de qualquer jeito, prefiro n\u00e3o abrir m\u00e3o de comer o que gosto. S\u00f3 n\u00e3o exagero.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 o que faz quando comparece a uma inaugura\u00e7\u00e3o de loja, ocasi\u00e3o em que \u00e9 recebido com um farto caf\u00e9-da-manh\u00e3. Foram cinq\u00fcenta em 2007, o mesmo n\u00famero previsto para o pr\u00f3ximo ano. No \u00faltimo dia 4, esteve em Tiet\u00ea, a 147 quil\u00f4metros da capital, para abrir a primeira filial no munic\u00edpio. Havia brigadeiros, bolos, sucos, sidra, pipoca e p\u00e3es de queijo. Deu uma beliscadinha discreta, e s\u00f3. &#8220;Se chego aos 90 quilos, fecho a boca&#8221;, conta ele, com 86 quilos distribu\u00eddos em 1,75 metro de altura. Klein tem medo de ficar gordo. &#8220;Quem pesa 100 quilos logo salta para 150&#8221;, acredita. Isso talvez explique as duas lipoaspira\u00e7\u00f5es a que se submeteu, uma h\u00e1 cerca de vinte anos, outra em 1999. Fora isso, jura que nunca entrou no bisturi. No esfor\u00e7o de manter a forma, chega a caminhar 15 quil\u00f4metros nos fins de semana. Tamb\u00e9m \u00e9 f\u00e3 de umas raquetadas \u2013 joga t\u00eanis como amador h\u00e1 sete anos. Isso quando n\u00e3o viaja com a mulher, Maria Alice. A cada semana um dos dois escolhe um destino diferente. Assim, semanas atr\u00e1s, pegaram a estrada rumo a Crici\u00fama, em Santa Catarina, s\u00f3 para sentir o vento no rosto. &#8220;Velocidade \u00e9 uma v\u00e1lvula de escape para o Michael.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhar com Michael Klein numa inaugura\u00e7\u00e3o de loja \u00e9 uma experi\u00eancia, no m\u00ednimo, singular. Era de esperar que, como em qualquer visita do rei aos seus s\u00faditos, houvesse uma profus\u00e3o de paparicos e adula\u00e7\u00f5es. E h\u00e1. Mas algumas vendedoras agem como se estivessem diante de um gal\u00e3 de novela. &#8220;Tira foto comigo?&#8221; \u00e9, sem d\u00favida, a frase mais ouvida. O empres\u00e1rio posa ao lado de todos at\u00e9 as 9 horas, quando se abrem as portas para a multid\u00e3o. Come\u00e7a uma queima de fogos e, nas caixas de som, bomba o Tema da Vit\u00f3ria (aquele t\u00e3-t\u00e3-t\u00e3 do piloto Ayrton Senna), enquanto a clientela caminha curiosa entre eletrodom\u00e9sticos e m\u00f3veis. &#8220;Mais uma miss\u00e3o cumprida&#8221;, suspira Klein, baixinho. E ruma para&#8230; o caf\u00e9 mais pr\u00f3ximo. Circula, naturalmente, escoltado por seguran\u00e7as \u00e0 paisana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora do mundo das Casas Bahia, Klein poderia passar despercebido, e adora quando consegue. \u00c9 raro. Afinal, seu rosto estampa todas as not\u00edcias sobre o neg\u00f3cio, cujo comando divide desde 2005 com o irm\u00e3o, Saul, respons\u00e1vel pela diretoria comercial. Prefere, por isso, n\u00e3o correr riscos. &#8220;S\u00f3 ando em carros blindados&#8221;, diz. &#8220;Tenho 42 profissionais de seguran\u00e7a para cuidar dos sete membros da minha fam\u00edlia que vivem em S\u00e3o Paulo&#8221;, conta. Preocupa\u00e7\u00e3o compreens\u00edvel para algu\u00e9m que representa a maior rede de varejo nacional. Fatura o triplo do concorrente mais pr\u00f3ximo, o Ponto Frio. A rede cresce num ritmo de 1 bilh\u00e3o de reais anuais, o que \u00e9 louv\u00e1vel. Por\u00e9m, faz dois anos que o crescimento magn\u00edfico do in\u00edcio da d\u00e9cada deu uma estacionada \u2013 entre 2001 e 2004, por exemplo, o faturamento anual saltou de 3,6 bilh\u00f5es para 9 bilh\u00f5es. Klein chegou a anunciar um plano de abrir 1000 lojas at\u00e9 2010, o que n\u00e3o deve se concretizar. &#8220;Ainda conseguiremos, mesmo que demore um pouco&#8221;, afirma. Ele aproveita para desmentir rumores surgidos no in\u00edcio deste m\u00eas sobre uma poss\u00edvel venda da empresa. &#8220;Fomos procurados in\u00fameras vezes e nunca quisemos vender nem abrir o capital&#8221;, diz. &#8220;Isso n\u00e3o vai mudar agora.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as armas para crescer mais, est\u00e1 a aposta na diversifica\u00e7\u00e3o da clientela. Focada desde os prim\u00f3rdios nas classes C e D, a empresa dedica-se tamb\u00e9m aos p\u00fablicos A e B, atra\u00eddos depois que a rede passou a aceitar cart\u00f5es de cr\u00e9dito, em 2002. Nessa estrat\u00e9gia encaixa-se a Super Casas Bahia, megafeira atualmente em sua quinta edi\u00e7\u00e3o, que ocupa 151600 metros quadrados do Anhembi. \u00c9 um laborat\u00f3rio para testar novidades \u2013 de chapinha de cabelo a autom\u00f3veis, 800 produtos foram lan\u00e7ados por l\u00e1 neste ano. Recebidos por 850 vendedores (e distra\u00eddos por shows da Disney como O Rei Le\u00e3o), cerca de 2 milh\u00f5es de paulistanos devem desembolsar ali 100 milh\u00f5es de reais at\u00e9 seu encerramento, na segunda (31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem sempre a rede foi assim, gigante pela pr\u00f3pria natureza. Especialmente em suas humildes ra\u00edzes, plantadas 55 anos atr\u00e1s pelo imigrante polon\u00eas Samuel Klein. Ex-prisioneiro de campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, ele chegou ao Brasil com 6000 d\u00f3lares, dos quais 4000 serviram para dar entrada em uma casa. Com o resto do dinheiro comprou uma charrete, um cavalo e uma lista com 200 nomes de fregueses de um comerciante, judeu como ele, que queria largar a vida de mascate. Samuel passou a vender toalhas e artigos de cama para sustentar a mulher, Ana, e o primog\u00eanito, Michael, nascido na Alemanha dois anos antes, que mais tarde viria a se naturalizar brasileiro. Cinco anos depois, tinha 5.000 clientes e, com umas economias que havia juntado, comprou sua loja pioneira, em S\u00e3o Cae-tano do Sul, primeira cidade a abrigar a fam\u00edlia Klein. A loja j\u00e1 se chamava Casa Bahia (no singular), nome escolhido por causa da grande quantidade de nordestinos que viviam nos arredores e faziam ali suas compras. Simp\u00e1tico e determinado, Samuel sempre foi bom de neg\u00f3cios, apesar de s\u00f3 ter estudado at\u00e9 a 4\u00aa s\u00e9rie prim\u00e1ria. Uma hist\u00f3ria contada na fam\u00edlia fala de um certo japon\u00eas, dono de pastelaria, cujo ponto interessava ao comerciante. A cada vez que negociava a venda, o propriet\u00e1rio cobrava mais caro. Irritado, Samuel comprou o im\u00f3vel em frente e passou a distribuir past\u00e9is gratuitamente, levando o advers\u00e1rio \u00e0 bancarrota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Michael tinha 18 anos quando foi trabalhar nas Casas Bahia, em 1968. Ciente da tradi\u00e7\u00e3o de que o filho mais velho tinha o dever de suceder ao pai, abriu m\u00e3o do sonho de ser arquiteto para estudar administra\u00e7\u00e3o de empresas. Acompanhou a ascens\u00e3o mete\u00f3rica da companhia, que na d\u00e9cada de 80 deu duas grandes tacadas: a aquisi\u00e7\u00e3o das 25 lojas da rede Columbia e a das 35 da Tamakavi, que pertencia ao apresentador Silvio Santos. O primeiro passo fora do mercado paulista viria em 1995, com a compra das Casas Garson, do Rio de Janeiro. Hoje o grupo atua em dez estados, num raio de 1.700 quil\u00f4metros a partir de S\u00e3o Paulo. &#8220;Compro por 100 e vendo por 200, por isso sou bilion\u00e1rio em d\u00f3lar&#8221;, declarou o patriarca, certa vez, para explicar o segredo de seu sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca, como na expans\u00e3o que viveu na \u00faltima d\u00e9cada, parte do m\u00e9rito deveu-se sem d\u00favida \u00e0 publicidade. E olha que, trinta anos atr\u00e1s, Samuel Klein dizia n\u00e3o precisar de propaganda. Convencido por um funcion\u00e1rio, passou a dedicar 3% do faturamento anual \u00e0s campanhas. Nasceram, assim, o Baianinho, s\u00edmbolo da empresa, e o slogan &#8220;Dedica\u00e7\u00e3o total a voc\u00ea&#8221;. A porcentagem \u00e9 a mesma at\u00e9 hoje, mas, como as cifras publicit\u00e1rias cresceram exponencialmente, estima-se que uns 375 milh\u00f5es de reais sejam destinados para os 3.864 comerciais e 15.000 an\u00fancios em jornais e revistas, que \u00e0s vezes recebem alguns dos 180 milh\u00f5es de encartes produzidos por ano. A ag\u00eancia Young &amp; Rubicam, que h\u00e1 seis anos cuida da conta da rede, montou uma filial dentro da sede da empresa, em S\u00e3o Caetano, onde d\u00e3o expediente 116 funcion\u00e1rios. Se um m\u00f3vel anunciado na v\u00e9spera vender pouco at\u00e9 meio-dia, a equipe se mobiliza para rodar comerciais de outro tipo de produto. Cada n\u00famero \u00e9 monitorado, em tempo real, do computador de Klein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanta m\u00eddia acaba interessando at\u00e9 aos fornecedores. &#8220;Alguns produtos nossos acabam divulgados na carona dos an\u00fancios das Casas Bahia&#8221;, afirma Eug\u00eanio Staub, presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o da Gradiente. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de competentes, os Klein s\u00e3o negociantes cautelosos. &#8220;Se surge um produto moderno demais, hesitam em apostar.&#8221; Foi assim, segundo ele, com os celulares. Em 1998, Staub apresentou Roberto Pe\u00f3n, ent\u00e3o presidente da BCP (atual Claro), a Michael. &#8220;S\u00f3 depois desse encontro ele viu o potencial dos pr\u00e9-pagos&#8221;, lembra Staub. Em 2007, a rede vendeu mais de 3 milh\u00f5es de aparelhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conta banc\u00e1ria polpuda, aparentemente, nunca subiu \u00e0 cabe\u00e7a dos Klein. \u00c9 comum ouvir relatos de que tratam com a mesma aten\u00e7\u00e3o da cozinheira \u00e0 dona da casa. Os tempos duros que Samuel atravessou parecem ter marcado a todos. Conta-se que sua mulher, Ana, usou um mesmo sof\u00e1 durante 25 anos, recorrendo a sucessivas trocas de forro. &#8220;Sou incapaz de colocar comida no prato e estragar&#8221;, afirma Michael, hoje, bilh\u00f5es e bilh\u00f5es depois. \u00c9 verdade que ele circula de avi\u00e3o e helic\u00f3ptero. Mas diz que n\u00e3o \u00e9 luxo, e sim necessidade. &#8220;Preciso me locomover com agilidade para tocar uma rede t\u00e3o grande&#8221;, explica. Grifes, garante, n\u00e3o o seduzem. &#8220;Se encontro duas camisas de qualidade igual, jamais pagarei mais caro por causa da marca.&#8221; Colecionar rel\u00f3gios (ele n\u00e3o conta quantos possui) \u00e9 um de seus luxos. E, veja bem, se custa mais de 4.000 reais, nada feito. &#8220;N\u00e3o tenho nenhum Rolex.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um epis\u00f3dio recente ilustra seu relacionamento com dinheiro. Ap\u00f3s subir ao altar com a empres\u00e1ria Maria Alice Pereira, dona de uma rede de caf\u00e9s (olha o caf\u00e9 a\u00ed de novo!), embarcou para a lua-de-mel em S\u00e3o Petersburgo, na R\u00fassia. Suas malas se extraviaram. Somente com a roupa do corpo, foram \u00e0s compras. Quando viram que uma cueca Armani custava 120 d\u00f3lares, deram meia-volta. A viagem foi uma das poucas ocasi\u00f5es em que o empres\u00e1rio se afastou dos neg\u00f3cios por vinte dias. &#8220;Prefiro pequenos passeios nos feriad\u00f5es&#8221;, diz ele, que viaja em m\u00e9dia dez vezes por ano. E adora trazer como suvenir canetas e bloquinhos dos hot\u00e9is em que se hospeda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Alice \u00e9 sua segunda mulher. Entre 1972 e 1984, Klein foi casado com a arquiteta e decoradora Jeanete Roizman. Depois da separa\u00e7\u00e3o, manteve a guarda dos tr\u00eas filhos. Conheceu a atual esposa no mundo dos neg\u00f3cios. Ela trabalhava no mercado financeiro e cuidava da conta das Casas Bahia. Convidou-a para jantar e, cavalheiro \u00e0 moda antiga, abriu a porta do carro, ajeitou a cadeira e passou a mandar flores com freq\u00fc\u00eancia. Engataram em 1997, tiveram idas e vindas, reataram em 2003. Em outubro deste ano, tornaram-se marido e mulher numa cerim\u00f4nia judaica \u2013 ela se converteu. Na contram\u00e3o das n\u00fapcias milion\u00e1rias, o custo da festa, tendo em vista a fortuna da fam\u00edlia, n\u00e3o foi considerado exorbitante (500000 reais). Quer dizer, para um Klein&#8230; &#8220;O Michael negociou com os fornecedores&#8221;, diz Maria Alice. Casaram-se em regime de separa\u00e7\u00e3o total de bens, a pedido dela. &#8220;Quis deixar claro que n\u00e3o tenho interesse em algo que n\u00e3o me pertence.&#8221; Em breve, mudam-se para o novo endere\u00e7o, na Vila Nova Concei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sabem ainda se ter\u00e3o filhos. &#8220;Tudo tem sua hora&#8221;, desconversa ele. Maria Alice cogita ado\u00e7\u00e3o. Enquanto n\u00e3o decidem, mimam seus dois c\u00e3es (o scottish terrier Wolf e a maltesa Angel) e o casal de periquitos que criam. S\u00e3o, por assim dizer, leg\u00edtimos p\u00e1ssaros do amor: foram batizados de Tchuco e Tchuca, apelidos fofos com que Li e Mike (outros nomes carinhosos deles) costumam se tratar na intimidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natalie e Raphael, o ca\u00e7ula, acolheram Maria Alice. &#8220;Sinto alegria em ver meu pai feliz&#8221;, conta Natalie. Ainda hoje faz falta nos encontros da fam\u00edlia o irm\u00e3o mais velho, Leandro, morto por um c\u00e2ncer aos 27 anos. &#8220;Fomos aos melhores m\u00e9dicos e hospitais do mundo e nada funcionou&#8221;, lembra Michael, com os olhos marejados. Enquanto Natalie dedica-se a sua butique de luxo, a NK Store, Raphael atua como diretor de marketing das Casas Bahia. Foge de entrevistas do mesmo jeito que o av\u00f4. Aos 84 anos, o patriarca n\u00e3o quer mais papo com jornalistas. &#8220;Tudo que tinha para falar est\u00e1 na minha biografia&#8221;, costuma dizer, referindo-se ao livro Samuel Klein e Casas Bahia: Uma Trajet\u00f3ria de Sucesso, de Elias Awad, atualmente na terceira edi\u00e7\u00e3o. Uma hist\u00f3ria que, tudo indica, ainda deve ganhar v\u00e1rias atualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e9lices, turbinas e tietagem com os vendedores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 5h15 da manh\u00e3, Klein vai de helic\u00f3ptero de sua casa, no Itaim, at\u00e9 o Campo de Marte, na Zona Norte. Dali voa num de seus tr\u00eas avi\u00f5es, o King Air , rumo a Tiet\u00ea, munic\u00edpio distante 147 quil\u00f4metros da capital. Naquele dia, a cidade ganharia sua primeira loja das Casas Bahia, com direito a comilan\u00e7a e a fotos dos funcion\u00e1rios ao lado do chefe: cinquenta inaugura\u00e7\u00f5es como essa em 2007.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou com cobertores e uma charrete<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobrevivente de campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, o imigrante polon\u00eas Samuel Klein come\u00e7ou seu neg\u00f3cio em 1952, quando vendia toalhas e cobertores numa charrete. Cinco anos depois, acumulou dinheiro suficiente para comprar sua primeira loja, que j\u00e1 se chamava Casa Bahia, em S\u00e3o Caetano do Sul. Em 2007, 37 milh\u00f5es de produtos sa\u00edram de centros de distribui\u00e7\u00e3o como o de Jundia\u00ed (acima.), a 60 quil\u00f4metros de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>As Casas Bahia em n\u00fameros<\/p>\n<p>12,5 bilh\u00f5es<br \/>\nde reais \u00e9 o faturamento previsto para 2007<\/p>\n<p>250 milh\u00f5es<br \/>\nde reais \u00e9 o lucro l\u00edquido<\/p>\n<p>7 milh\u00f5es<br \/>\nde reais por m\u00eas \u00e9 o faturamento da maior loja paulistana, na Pra\u00e7a Ramos de Azevedo<\/p>\n<p>50%<br \/>\ndos pagamentos s\u00e3o feitos com carn\u00ea e<br \/>\n40%<br \/>\ncom cart\u00f5es de cr\u00e9dito<\/p>\n<p>57.518<br \/>\nfuncion\u00e1rios, dos quais<br \/>\n7.953<br \/>\ns\u00e3o paulistanos<\/p>\n<p>16.800<br \/>\nvendedores, cujo sal\u00e1rio m\u00e9dio \u00e9 de<br \/>\n1.750 reais<\/p>\n<p>26,3 milh\u00f5es<br \/>\nde clientes cadastrados<\/p>\n<p>5 milh\u00f5es<br \/>\nde clientes paulistanos<\/p>\n<p>2.254<br \/>\ncaminh\u00f5es pr\u00f3prios com tra\u00e7\u00e3o nas quatro rodas para subir at\u00e9 em favelas<\/p>\n<p>908.000<br \/>\nentregas mensais<\/p>\n<p>O que mais vendeu em 2007*<\/p>\n<p>918.000<br \/>\ncopas\/cozinhas,<\/p>\n<p>657.000<br \/>\ncelulares pr\u00e9-pagos,<\/p>\n<p>500.000<br \/>\nm\u00f3veis para quarto,<\/p>\n<p>410.000<br \/>\ncolch\u00f5es e<\/p>\n<p>345.000<br \/>\ntelevisores<\/p>\n<p>Fonte\u00a0<a href=\"http:\/\/vejasp.abril.com.br\/revista\/edicao-2041\/michael-klein-casas-bahia-faturamento-bilionario\">http:\/\/<strong><span style=\"color: #0000ff;\">vejasp.abril<\/span><\/strong>.com.br\/revista\/edicao-2041\/michael-klein-casas-bahia-faturamento-bilionario<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 frente de uma verdadeira m\u00e1quina de fazer dinheiro,o empres\u00e1rio consolida o imp\u00e9rio do varejo iniciado 55 anos atr\u00e1s por seu paiia (94 delas na cidade) \u2013,o empres\u00e1rio Michael Klein consolida com faturamento anual de 12,5 bilh\u00f5es de reais o imp\u00e9rio do varejo iniciado 55 anos atr\u00e1s por seu pai.<\/p>\n","protected":false},"author":62,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-3308","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/62"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3308"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3314,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308\/revisions\/3314"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}