{"id":5367,"date":"2012-05-14T11:38:18","date_gmt":"2012-05-14T14:38:18","guid":{"rendered":"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/?p=5367"},"modified":"2012-06-25T11:49:26","modified_gmt":"2012-06-25T14:49:26","slug":"ambulantes-nao-sairao-do-centro-diz-secretaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/ambulantes-nao-sairao-do-centro-diz-secretaria\/","title":{"rendered":"Ambulantes n\u00e3o sair\u00e3o do Centro, diz secret\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #339966;\"><strong>A REVITALIZA\u00c7\u00c3O AINDA \u00c9 POSS\u00cdVEL?<\/strong><\/span><br \/>\n<em>A titular da Sercefor, Lu\u00edza Perdig\u00e3o, informa que ser\u00e3o criados cinco camel\u00f3dromos em pr\u00e9dios abandonados<br \/>\n<\/em><a href=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DN-14.05.12-Cidade-pag.-6-e-7-f.jpg\" rel=\"attachment wp-att-5372\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-5372\" title=\"\" src=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DN-14.05.12-Cidade-pag.-6-e-7-f-300x134.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"134\" srcset=\"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DN-14.05.12-Cidade-pag.-6-e-7-f-300x134.jpg 300w, https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DN-14.05.12-Cidade-pag.-6-e-7-f-1024x459.jpg 1024w, https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DN-14.05.12-Cidade-pag.-6-e-7-f.jpg 1739w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\nQuem sonha, debate e defende o Centro de Fortaleza revitalizado, com vida pulsante nas 24 horas do dia, ainda ter\u00e1 um longo caminho pela frente. As interven\u00e7\u00f5es, t\u00e3o desejadas, para tornar o bairro um local para morar, trabalhar ou se divertir n\u00e3o sair\u00e3o t\u00e3o cedo. N\u00e3o \u00e9 que faltem sugest\u00f5es, alternativas ou projeto. Este at\u00e9 que est\u00e1 pronto. No entanto, reconhece a titular da Secretaria Executiva Regional do Centro (Sercefor), Lu\u00edza Perdig\u00e3o, as a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas ser\u00e3o deixadas para a pr\u00f3xima administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por enquanto, a cidade continuar\u00e1 com seu bairro mais tradicional e importante, como est\u00e1: com a invas\u00e3o dos camel\u00f4s para tudo que \u00e9 lado &#8211; s\u00e3o 13 mil na contagem da Prefeitura &#8211; a polui\u00e7\u00e3o visual, pr\u00e9dios abandonados e sem serventia, sujeira, espa\u00e7os p\u00fablicos destru\u00eddos e entregues aos moradores de rua, inseguran\u00e7a e muito preju\u00edzo para todos os segmentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lu\u00edza tamb\u00e9m avisa: mesmo no projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o t\u00e3o sonhado, a cidade ter\u00e1 que aprender a conviver com o com\u00e9rcio ambulante. &#8220;Eles s\u00e3o necess\u00e1rios para o Centro e v\u00e3o continuar aqui. N\u00e3o existe a menor possibilidade de retir\u00e1-los e sim reorden\u00e1-los em cinco camel\u00f3dromos&#8221;, informa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os locais s\u00f3 v\u00e3o abrigar 2,6 mil informais que atuam no quadril\u00e1tero das avenidas Duque de Caxias, Imperador, ruas Castro e Silva e Sena Madureira. Os da Jos\u00e9 Avelino nem sonho de remo\u00e7\u00e3o existe. &#8220;A ideia \u00e9 relocar esse pessoal em im\u00f3veis abandonados ou vazios. N\u00e3o informamos quais s\u00e3o para evitarmos a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Outra certeza: o modelo efetivado com os ambulantes do Beco da Poeira n\u00e3o deu certo. &#8220;N\u00e3o adianta colocarmos todos em pr\u00e9dios no primeiro ou segundo andar, por exemplo. Isso a gente sabe que fracassa&#8221;, aponta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os novos camel\u00f3dromos, adianta a secret\u00e1ria, ser\u00e3o tipo galerias, com passagens abertas de um rua para outra e com os boxes dos ambulantes no t\u00e9rreo. &#8220;Em cima, ser\u00e3o para banheiros, lanchonetes, restaurantes e at\u00e9 lojas de marcas famosas, que atraem clientes diversos&#8221;. Al\u00e9m disso, a cria\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios-garagem com a destina\u00e7\u00e3o do t\u00e9rreo para o com\u00e9rcio ambulante \u00e9 uma das op\u00e7\u00f5es em estudo. Nesse caso, a proposta \u00e9 ofertar tr\u00eas mil vagas para camel\u00f4s e mais sete mil para ve\u00edculos. &#8220;Cada permission\u00e1rio pagar\u00e1 R$ 150 mensal. Esses locais tamb\u00e9m podem ser pr\u00f3ximos de estacionamentos e paradas de \u00f4nibus&#8221;, frisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da tarefa cumprida e para evitar que outros ocupem as mesmas ruas e cal\u00e7adas, Lu\u00edza, a\u00ed sim, defende uma fiscaliza\u00e7\u00e3o repressiva. &#8220;O que n\u00e3o podemos \u00e9 fazer isso com os que a\u00ed est\u00e3o h\u00e1 anos e que dependem disso para sobreviver&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem surpresa<\/strong><br \/>\nAs afirma\u00e7\u00f5es da secret\u00e1ria n\u00e3o surpreendem integrantes do F\u00f3rum Viva Centro. Um deles, o vice-presidente da C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas (CDL), Riamburgo Ximenes, avalia que o Centro s\u00f3 ter\u00e1 solu\u00e7\u00e3o com a\u00e7\u00e3o efetiva. &#8220;O Centro hoje \u00e9 um gigante atropelado, sendo uma batalha para perdedores&#8221;, diz, explicando que todos sofrem com a atual situa\u00e7\u00e3o. &#8220;Os ambulantes pela concorr\u00eancia predat\u00f3ria, os lojistas que pagam pesados impostos, a popula\u00e7\u00e3o, a cidade, enfim, todos s\u00e3o prejudicados&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para especialistas, n\u00e3o \u00e9 que a Sercefor n\u00e3o tenha se esfor\u00e7ado na tentativa de tornar o Centro um local menos degradado. A secret\u00e1ria tem tido uma atua\u00e7\u00e3o como pode. Recolhido lixo, tentando di\u00e1logo com os camel\u00f4s, retirando alguns do entorno de im\u00f3veis considerados patrim\u00f4nios hist\u00f3ricos. &#8220;Mas, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es t\u00edmidas, sem for\u00e7a. \u00c9 como cego em tiroteio&#8221;, comparam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o urbanista Marcos Lima, isso ocorre porque o Munic\u00edpio tem desprezado as solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, optando por a\u00e7\u00f5es pontuais e centralizadas. Para ter resultado pr\u00e1tico e r\u00e1pido, ele defende que as propostas contemplem as ideias de institui\u00e7\u00f5es e promovam a\u00e7\u00f5es que congreguem diversos setores. &#8220;As propostas, at\u00e9 agora, foram muito ing\u00eanuas. \u00c9 preciso uma vis\u00e3o macro do problema para integrar v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas permanentes que promovam o uso do espa\u00e7o. Falta parceria com as entidades, e hoje as a\u00e7\u00f5es est\u00e3o muito isoladas no Poder Municipal, longe do resto&#8221;, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Transi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA economista e doutora em Planejamento Urbano, Cleide Bernal, ressalta que a quest\u00e3o que se coloca \u00e9: como fazer a transi\u00e7\u00e3o entre a situa\u00e7\u00e3o existente e uma situa\u00e7\u00e3o planejada? Como realizar o ordenamento e planejamento do territ\u00f3rio de modo sustent\u00e1vel? A crise urbana, frisa a estudiosa, tem exigido dos governantes uma pol\u00edtica orientadora e coordenadora de esfor\u00e7os, planos, a\u00e7\u00f5es e investimentos nos v\u00e1rios n\u00edveis de governo, e, tamb\u00e9m, do Legislativo, do Judici\u00e1rio, do setor privado e da sociedade civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro que faz parte dos debates do F\u00f3rum Viva o Centro, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea\/CE), Victor Frota, chama a aten\u00e7\u00e3o para outra: a gravidade da polui\u00e7\u00e3o visual no bairro. Para ele, a cidade precisa focar nesse sentido, pois n\u00e3o se pode pensar a revitaliza\u00e7\u00e3o do Centro sem passar por isso. &#8220;O retorno de \u00f3rg\u00e3os e entidades como o pr\u00f3prio Crea para o Centro \u00e9 prova de que acreditamos na mudan\u00e7a de situa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arquiteta e urbanista, Mariana Reynaldo, concorda com Victor Frota, e ressalta que o retorno de alguns \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, a promo\u00e7\u00e3o de eventos culturais e a reforma de pra\u00e7as t\u00eam contribu\u00eddo para requalificar o Centro, mas atenta que, isoladas, essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o resolvem o problema. No seu entendimento, a &#8220;monofuncionalidade comercial&#8221; intensifica os problemas de desordenamento urbano, sujeira e sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Por isso, ela aponta que a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na utiliza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do espa\u00e7o em todos os hor\u00e1rios, salientando que o Plano Habitacional do Centro \u00e9 importante nesse sentido, mas deve ser implantado de forma integrada com outras pol\u00edticas p\u00fablicas. &#8220;A recupera\u00e7\u00e3o da moradia do Centro \u00e9 uma das alavancas importantes, mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Apesar da dificuldade de sua implanta\u00e7\u00e3o, \u00e9 algo que n\u00e3o se deve abandonar pelos futuros gestores&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O plano de habita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 visto como essencial para o bairro. Conforme o Professor Euler Muniz, \u00e9 necess\u00e1rio entender que a cidade \u00e9 composta por seres humanos, bastante complexos em suas demandas pessoais e nas rela\u00e7\u00f5es com os demais. &#8220;N\u00e3o se pode pensar a cidade de modo pontual e com a\u00e7\u00f5es isoladas&#8221;, analisa. O planejamento funciona, indica ele, muito mais como uma grande teia em que &#8220;o vibrar de um n\u00f3 repercute em significativa parte da rede&#8221;. O Centro, defende, tem de ser pensado como uma centralidade a ser acentuada e a fun\u00e7\u00e3o habitar \u00e9 fundamental no processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na avalia\u00e7\u00e3o do soci\u00f3logo e historiador, Eduardo L\u00facio Amaral, \u00e9 preciso, tamb\u00e9m, disciplina urbana. \u00c9 dever do poder p\u00fablico estabelecer regras m\u00ednimas para o conv\u00edvio social. Estas regras, observa, obviamente, n\u00e3o podem incidir somente sobre os ambulantes, mas devem ser impessoais, de maneira que n\u00e3o haja privil\u00e9gio ou discrimina\u00e7\u00e3o. &#8220;Poucos est\u00e3o isentos de responsabilidade no processo de degrada\u00e7\u00e3o do Centro&#8221;, assegura. Para ele, n\u00e3o \u00e9 somente o ambulante quem produz a polui\u00e7\u00e3o visual, lixo ou o caos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Centro, analisa, \u00e9 um lugar privilegiado para se morar, em termos de infraestrutura de energia el\u00e9trica, \u00e1gua e saneamento, telefonia e transporte, al\u00e9m da oferta de mercadorias a pre\u00e7os mais baixos que qualquer outro bairro. &#8220;O certo \u00e9 que precisamos correr contra o tempo para reverter o atual cen\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Plano Diretor Participativo indica que \u00e1rea \u00e9 zona de ocupa\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria<\/strong><br \/>\n&#8220;Qual a prioridade do Poder P\u00fablico com rela\u00e7\u00e3o ao Centro?&#8221;, questiona o assessor do Cearah Periferia, Felipe Silveira. Segundo ele, o Plano Diretor Participativo de Fortaleza insere o Centro, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s macrozonas de ocupa\u00e7\u00e3o urbana, como Zona de Ocupa\u00e7\u00e3o Preferencial 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, explica, o plano tem como prerrogativas, entre outras, promover programas e projetos de habita\u00e7\u00e3o de interesse social, j\u00e1 que a \u00e1rea \u00e9 caracterizada pela disponibilidade de infraestrutura, oferta de emprego e renda, servi\u00e7os e uma forte natureza cultural (seja pela presen\u00e7a do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, seja pelas atra\u00e7\u00f5es que ainda resistem em se realizar por ali) e im\u00f3veis n\u00e3o utilizados e subutilizados&#8221;, diz. Foram mapeados 660 pr\u00e9dios vazios e\/ou subutilizados e divulgados apenas 36.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s de priorizar as edifica\u00e7\u00f5es identificadas para a moradia, aponta Silveira, a Prefeitura investiu na cria\u00e7\u00e3o do Polo Tecnol\u00f3gico de Fortaleza &#8211; em que no Centro se associa \u00e0s Zonas Especiais de Desenvolvimento Urban\u00edstico e Socioecon\u00f4mico (Zedus).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso aconteceu, afirma ele, exatamente no per\u00edmetro destacado em rela\u00e7\u00e3o aos im\u00f3veis vazios e\/ou subutilizados: ruas 24 de Maio, Pedro I, 25 de Mar\u00e7o, Doutor Jo\u00e3o Moreira\/Rufino de Alencar, General Sampaio, Senador Jaguaribe, um pouco al\u00e9m da Avenida Alberto Nepomuceno e Adolfo Caminha, ofertando incentivos fiscais e confrontando-se com a quest\u00e3o da moradia de interesse social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio colocar, urgentemente, em pauta o controle social sobre esses im\u00f3veis vazios e\/ou subutilizados, efetivar o direito \u00e0 cidade e \u00e0 moradia digna e ter o d\u00e9ficit habitacional reduzido como meta para essas a\u00e7\u00f5es&#8221;, defende Silveira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o do Centro n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma especificidade local, diz, e sim de outras cidades brasileiras que debatem sobre projetos e a\u00e7\u00f5es de reabilita\u00e7\u00e3o\/requalifica\u00e7\u00e3o\/reordenamento como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Bel\u00e9m e Teresina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bairro j\u00e1 foi principal point cultural da cidade<\/strong><br \/>\nIntensa vida econ\u00f4mica, social e cultural nas 24 horas do dia. Era assim o Centro na mem\u00f3ria e nos \u00e1lbuns de fotografias de D. Guilhermina Gondim. Nascida e criada no bairro e moradora da casa centen\u00e1ria de n\u00ba 1406, da Rua General Sampaio, ela viu o tempo passar e acompanhou todas as mudan\u00e7as, perdas e retrocessos do local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto mostra a casa &#8211; que pode ser tombada pelo Patrim\u00f4nio P\u00fablico Municipal &#8211; Guilhermina se deixa levar pelas recorda\u00e7\u00f5es e afirma que &#8220;nos anos 50 e 60 vivemos aqui um apogeu. Hoje, nem saio mais com medo dos assaltos e do tr\u00e2nsito que \u00e9 intenso na rua&#8221;, frisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cantora de r\u00e1dio na d\u00e9cada de 60, ela conta que formou com as irm\u00e3s Maria Suzana e Maria Margarida um trio que fez sucesso na \u00e9poca. &#8220;Tudo era mais f\u00e1cil. Nossa casa foi ponto da encontros culturais, pois minha m\u00e3e era pianista e adorava reunir a fam\u00edlia. Os vizinhos e amigos se achegavam e ali fic\u00e1vamos horas e horas&#8221;, relembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terreno onde a casa est\u00e1 situada serve, atualmente, como estacionamento. D. Guilhermina, que vive junto que outra irm\u00e3, Maria Teresa, conta que um dos netos administra o ponto. &#8220;E por enquanto, existe quest\u00e3o de heran\u00e7a e ainda estudamos a possibilidade de tombamento do bem que representa nossa vida&#8221;, explica ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem cansar de mostrar fotos e os c\u00f4modos, ela diz, sorrindo, que seu \u00fanico passatempo \u00e9 ficar na janela observando a &#8220;confus\u00e3o&#8221; da cidade. &#8220;Antes, a rua era toda ladeada por benjamins e casarios. Hoje, \u00e9 tomada por estacionamentos e totalmente descaracterizada, Seria bom organizar melhor o tr\u00e2nsito, botar mais ilumina\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7as. Assim, talvez, o Centro volte a ser um pouquinho do que j\u00e1 foi: uma ebuli\u00e7\u00e3o cultural e de lazer&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>L\u00caDA GON\u00c7ALVES<br \/>\n<\/strong>REP\u00d3RTER<br \/>\n<em><br \/>\nOPINI\u00c3O DO ESPECIALISTA<br \/>\n<\/em><br \/>\n<strong>Centro: um descaso hist\u00f3rico<\/strong><br \/>\nAntes, epicentro da urbe, o Centro de Fortaleza encontra-se, hoje, em lament\u00e1vel estado de abandono. Desde meados de 1860 que Fortaleza se beneficiou do dinheiro gerado pelo com\u00e9rcio do algod\u00e3o. A Capital foi, paulatinamente, adquirindo maior import\u00e2ncia frente a outras cidades que foram protagonistas de ciclos econ\u00f4micos, como Ic\u00f3, Sobral e Aracati. O ac\u00famulo de capital gerado pelo algod\u00e3o trouxe uma maior possibilidade, por parte dos poderes p\u00fablicos, de empreenderem uma s\u00e9rie de obras que trariam ares mais civilizados \u00e0 pequena Capital. Dessa forma, em 1875, ficou Adolfo Hebster respons\u00e1vel por tra\u00e7ar um plano urbano para a emergente cidade. Desse plano nasceram as avenidas Duque de Caxias, Dom Manuel e Imperador. O Passeio P\u00fablico (antiga Pra\u00e7a dos M\u00e1rtires), a Pra\u00e7a Jos\u00e9 de Alencar e a Pra\u00e7a do Ferreira, passaram por um processo de embelezamento calcado nos moldes da grande metr\u00f3pole inspiradora da \u00e9poca: Paris. Toda a vida mundana, intelectual e comercial da cidade desfilava pelo Centro e arredores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, com o passar do tempo e o advento das grandes secas, como as de 1877, 1915 e 1932; a cidade foi inchando de forma desordenada, acabando por criar um cintur\u00e3o de mis\u00e9ria em volta do quadril\u00e1tero civilizado do Centro. As elites pol\u00edticas locais foram ineficazes em estabelecer pol\u00edticas para sanar tais problemas. Sempre foi a t\u00f4nica de nossos governantes n\u00e3o pensar a cidade como um todo e n\u00e3o continuar obras e pol\u00edticas bem sucedidas dos antecessores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, a cidade cresceu desordenada, passando por um lento processo de saneamento e de sanitariza\u00e7\u00e3o, s\u00f3 conclu\u00eddo nos anos 20, depois de d\u00e9cadas de obras. A forte voca\u00e7\u00e3o comercial do bairro foi, aos poucos, expulsando as fam\u00edlias abastadas de seu entorno (surgem os bairros de Jacarecanga e Aldeota). Deu-se ent\u00e3o, a definitiva divis\u00e3o da cidade em dois polos: o rico e o pobre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar dos anos e com o crescimento acelerado e desigual dos bairros da cidade, o Centro foi perdendo import\u00e2ncia. Falar do bairro hoje em dia \u00e9 falar de Fortaleza como um todo. O mal cr\u00f4nico da falta de planejamento perpassa os anos e chega at\u00e9 nossos dias. N\u00e3o h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o nem regulamenta\u00e7\u00e3o rigorosa e efetiva dos espa\u00e7os da cidade. Por um lado, os mais carentes s\u00e3o sempre desculpados pela conjuntura da pobreza, por outro, os que det\u00eam o capital fazem o que querem, sabiamente driblando os meandros do poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, somos ref\u00e9ns de um aglomerado urbano ca\u00f3tico, onde n\u00e3o h\u00e1 uma prioriza\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico, nem do resgate da cidade pelos habitantes, nem da sa\u00fade, nem da educa\u00e7\u00e3o, nem da seguran\u00e7a. A decad\u00eancia do Centro apenas reflete uma conjuntura maior, de descaso e falta de vis\u00e3o hist\u00f3ricas, que infelizmente n\u00e3o ser\u00e3o sanados por obras pontuais por conta da pr\u00f3xima Copa do Mundo de futebol, em 2014.<\/p>\n<p><strong>Eust\u00e1quio Alvarenga J\u00fanior<br \/>\n<\/strong>Advogado e historiador<\/p>\n<p>Fonte <span style=\"color: #008000;\"><strong><a href=\"http:\/\/diariodonordeste.globo.com\/materia.asp?codigo=1137221\"><span style=\"color: #008000;\">Di\u00e1rio do Nordeste<\/span><\/a><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem sonha, debate e defende o Centro de Fortaleza revitalizado, com vida pulsante nas 24 horas do dia, ainda ter\u00e1 um longo caminho pela frente. As interven\u00e7\u00f5es, t\u00e3o desejadas, para tornar o bairro um local para morar, trabalhar ou se divertir n\u00e3o sair\u00e3o t\u00e3o cedo. N\u00e3o \u00e9 que faltem sugest\u00f5es, alternativas ou projeto. Este at\u00e9 que est\u00e1 pronto. No entanto, reconhece a titular da Secretaria Executiva Regional do Centro (Sercefor), Lu\u00edza Perdig\u00e3o, as a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas ser\u00e3o deixadas para a pr\u00f3xima administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":62,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-5367","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-noticias"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/62"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5367"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5367\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5369,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5367\/revisions\/5369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}