{"id":5722,"date":"2012-08-20T12:16:08","date_gmt":"2012-08-20T15:16:08","guid":{"rendered":"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/?p=5722"},"modified":"2012-08-23T12:23:53","modified_gmt":"2012-08-23T15:23:53","slug":"nao-precisamos-de-escolas-modelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/nao-precisamos-de-escolas-modelo\/","title":{"rendered":"N\u00e3o precisamos de escolas-modelo"},"content":{"rendered":"<table summary=\"detalhe not\u00edcia\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Autor(es): Jo\u00e3o Batista Araujo e Oliveira<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><span style=\"color: #000080;\"><strong>Veja<\/strong><\/span> &#8211; 20\/08\/2012<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: justify;\">O educador diz que o Brasil necessita de redes de ensino fundamental eficientes, n\u00e3o de ilhas de excel\u00eancia, e anuncia um pr\u00eamio para os prefeitos que avan\u00e7arem nesse objetivo.<a href=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Jo\u00e3o-Batista-A.jpg\" rel=\"attachment wp-att-5726\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-5726\" title=\"Jo\u00e3o Batista Ara\u00fajo\" src=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Jo\u00e3o-Batista-A-197x300.jpg\" alt=\"\" width=\"197\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Jo\u00e3o-Batista-A-197x300.jpg 197w, https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Jo\u00e3o-Batista-A.jpg 416w\" sizes=\"auto, (max-width: 197px) 100vw, 197px\" \/><\/a>H\u00e1 d\u00e9cadas\u00a0governos estaduais, municipais e federal se vangloriam de suas escolas-modelo, unidades que recebem toda a aten\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o de plant\u00e3o e que, por isso, se destacam dos demais col\u00e9gios p\u00fablicos pela excel\u00eancia. Os\u00a0governantes deveriam, na verdade, se envergonhar da situa\u00e7\u00e3o, afirma o educador Jo\u00e3o Batista Ara\u00fajo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. O argumento do especialista \u00e9 simples: \u201cAs escolas-modelo s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. A regra,\u00a0como sabemos, s\u00e3o as demais escolas do Brasil\u201d. Para incentivar\u00a0governos a corrigir a distor\u00e7\u00e3o, Oliveira criou, em parceria\u00a0com\u00a0a G\u00e1vea Investimentos e a Funda\u00e7\u00e3o Lemann, o Pr\u00eamio Prefeito Nota 10, que vai dar 200.000 reais a administradores municipais cuja rede de ensino fundamental obtiver a melhor avalia\u00e7\u00e3o na Prova Brasil, exame federal que mede a qualidade do ensino p\u00fablico no ciclo b\u00e1sico. Escola-modelo, portanto, n\u00e3o conta. &#8220;N\u00e3o adianta o prefeito falar que tem duas escolas excepcionais, se as demais n\u00e3o acompanham esse n\u00edvel. Queremos premiar o conjunto.\u201d Confira a seguir a entrevista que ele concedeu a VEJA.<strong>O MEC divulgou nesta semana os resultados da Prova Brasil, que mostra o n\u00edvel de aprendizado das crian\u00e7as no ciclo fundamental das escolas p\u00fablicas.\u00a0Como o senhor avalia os resultados?<\/strong><br \/>\nEles foram divulgados\u00a0com\u00a0grande fanfarra, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma justificativa para isso. Se voc\u00ea analisa a quest\u00e3o no tempo, percebe que existe estagna\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um ponto fora da curva, os resultados divulgados em 2010. Mas eles n\u00e3o foram corroborados neste novo exame, e j\u00e1 esper\u00e1vamos isso. Estamos onde est\u00e1vamos em 1995. H\u00e1 uma melhora bem pequena nos anos iniciais da escola, e pouqu\u00edssima varia\u00e7\u00e3o nas s\u00e9ries finais e no ensino m\u00e9dio. Os gastos em educa\u00e7\u00e3o aumentaram &#8211; e muito &#8211; e foram criados muitos programas, mas isso n\u00e3o tem consist\u00eancia suficiente para melhorar a qualidade do ensino. Ent\u00e3o, temos duas hip\u00f3teses para a estagna\u00e7\u00e3o: ou os programas criados s\u00e3o bons mas n\u00e3o foram bem executados, ou s\u00e3o desnecess\u00e1rios e n\u00e3o trouxeram benef\u00edcio algum.<\/p>\n<p><strong>Especialistas, entre os quais o senhor, pregam que uma reforma educacional eficaz se faz\u00a0com\u00a0receitas consagradas &#8211; ou seja, sem invencionices. Quais s\u00e3o os ingredientes para o avan\u00e7o?<\/strong><br \/>\nO primeiro \u00e9 uma pol\u00edtica para atrair pessoas de bom n\u00edvel ao magist\u00e9rio. Desde a d\u00e9cada de 60 h\u00e1 um rebaixamento do n\u00edvel do pessoal, e a qualidade do ensino depende essencialmente do professor. O segundo ingrediente \u00e9 a gest\u00e3o do sistema. Uma boa gest\u00e3o produz equidade: todas as escolas de uma mesma rede funcionam segundo o mesmo padr\u00e3o. Hoje, unidades de uma mesma rede, estadual ou municipal, apresentam desempenhos d\u00edspares. O terceiro \u00e9 a exist\u00eancia de um programa de ensino estruturado, que falta ao Brasil. As escolas t\u00eam um punhado de pap\u00e9is reunidos sob o nome de proposta pol\u00edtico-pedag\u00f3gica&#8221;, seja l\u00e1 o que isso queira dizer:\u00a0come\u00e7a\u00a0com\u00a0uma frase do Paulo Freire e termina citando Rubem Alves. Os\u00a0governos de todos os n\u00edveis abriram m\u00e3o de manter uma proposta de ensino, detalhando o que os alunos devem aprender em cada s\u00e9rie. O quarto ingrediente \u00e9 um sistema de avalia\u00e7\u00e3o que possa medir a evolu\u00e7\u00e3o do aprendizado. Para isso, por\u00e9m, \u00e9 preciso ter um programa de ensino: afinal, se voc\u00ea n\u00e3o sabe o que ensinar,\u00a0como vai saber o que avaliar? De posse de bons profissionais, gest\u00e3o, programa de ensino e m\u00e9todos de avalia\u00e7\u00e3o, acrescenta-se o \u00faltimo ingrediente. um sistema de premia\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o. Algumas redescome\u00e7am a pensar em um sistema de premia\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o adianta s\u00f3 dar incentivo. \u00c9 preciso premiar quem faz direito e punir quem n\u00e3o faz. Hoje, o \u00fanico punido no sistema de ensino brasileiro \u00e9 o aluno reprovado. Isso \u00e9 covardia. Nada acontece\u00a0com\u00a0professor, diretor, secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o, prefeito ou\u00a0governador quando eles falham.<\/p>\n<p><strong>Em meio a tantos desacertos, h\u00e1 munic\u00edpios fazendo a li\u00e7\u00e3o de casa em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/strong>Sim, mas os exemplos s\u00e3o poucos. Sobral, no Cear\u00e1, \u00e9 um deles, al\u00e9m de algumas dezenas de cidades em S\u00e3o Paulo e em Minas Gerais. Elas seguem a receita de estruturar o ensino, de cuidar de quest\u00f5es que realmente fazem a diferen\u00e7a. Mas ainda estamos falando das primeiras s\u00e9ries do ensino fundamental. Ou seja, estamos aprendendo a fazer escola prim\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>O senhor organiza um pr\u00eamio que ser\u00e1 entregue a administra\u00e7\u00f5es municipais que mostrarem o melhor desempenho em educa\u00e7\u00e3o.\u00a0Como ele vai funcionar?<br \/>\n<\/strong>\u00a0A ideia \u00e9 premiar o prefeito das cidades que apresentarem uma rede de qualidade, ou seja, um conjunto em que todas as escolas atinjam um patamar satisfat\u00f3rio de ensino. N\u00e3o adianta o prefeito falar que tem duas escolas-modelo, excepcionais, se as demais n\u00e3o acompanham esse n\u00edvel. Queremos premiar o conjunto.<\/p>\n<p><strong>Qual o problema das escolas-modelo?<br \/>\n<\/strong>O problema \u00e9 que elas n\u00e3o s\u00e3o modelo de nada. Em sua excel\u00eancia, elas s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. O pr\u00eamio parte da premissa de que uma andorinha sozinha n\u00e3o faz ver\u00e3o. Por meio da Prova Brasil, constatamos que existem algumas escolas boas espalhadas pelo pa\u00eds, mas, sozinhas, elas n\u00e3o v\u00e3o mudar o jogo. Precisamos de uma rede que funcione. Quando analisamos avalia\u00e7\u00f5es de outras na\u00e7\u00f5es, percebemos que escolas de uma mesma rede t\u00eam um desempenho muito similar. Isso \u00e9 democracia, isso \u00e9 cidadania: voc\u00ea pode matricular seu filho em qualquer escola, pois todas oferecem o mesmo n\u00edvel de ensino.<\/p>\n<p><strong>Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil levar a qualidade das escolas-modelo para toda a rede de ensino?<br \/>\n<\/strong>Porque no Brasil o que importa \u00e9 acess\u00f3rio. O legal \u00e9 colocar xadrez na escola, \u00e9 ensinar teatro. O brasileiro vai \u00e0 Finl\u00e2ndia e acha que o sucesso da educa\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds se deve ao fato de que as paredes das escolas s\u00e3o pintadas de rosa. Na volta ao Brasil, ele quer pintar todas as escolas daquela cor. Depois, ele vai \u00e0 Fran\u00e7a, onde v\u00ea um livro que julga importante e decide introduzi-lo nas escolas daqui&#8230; Em vez de olharmos o que os sistemas de ensino daqueles pa\u00edses t\u00eam em\u00a0comum, olhamos exatamente para o que h\u00e1 de diferente neles,\u00a0como se isso fosse a bala de prata da educa\u00e7\u00e3o. Por isso gest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante: \u00e9 preciso focar o DNA da escola e deixar de lado o que \u00e9 perif\u00e9rico. O problema \u00e9 que as escolas e as secretarias de Educa\u00e7\u00e3o est\u00e3o povoadas de pedagogos, e n\u00e3o de gestores. N\u00e3o conhe\u00e7o uma Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o no Brasil que tenha um especialista em demografia, que saiba quantas crian\u00e7as v\u00e3o nascer nos pr\u00f3ximos anos e, portanto, quantas escolas precisam ser abertas ou fechadas.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 alguns meses, o MEC anunciou a aquisi\u00e7\u00e3o de milhares de tablets para professores. O senhor v\u00ea issocom\u00a0bons olhos?<br \/>\n<\/strong>\u00a0\u00c9 mais confete. O bom professor vai se beneficiar; o mau, n\u00e3o. E nem o benef\u00edcio ao bom professor justifica o custo. Quando a tecnologia est\u00e1 atrelada ao professor, ele, o ser humano, vai ser sempre o fator limitante. Nenhum pa\u00eds conseguiu melhorar a educa\u00e7\u00e3o a partir do uso da tecnologia. N\u00e3o estou dizendo que a tecnologia seja ruim. Ela tem potencial, desde que seja usada no contexto apropriado. N\u00e3o adianta colocar ingredientes certos na receita errada.<\/p>\n<p><strong>Alguns pa\u00edses que tinham \u00edndices educacionais semelhantes aos do Brasil hoje ostentam n\u00fameros aceit\u00e1veis ou mesmo invej\u00e1veis. \u00c9 o caso de Coreia do Sul, China e Chile. O que essas na\u00e7\u00f5es podem ensinar ao Brasil?<br \/>\n<\/strong>\u00a0Elas podem servir de modelo, mas \u00e9 preciso entender o processo de cada uma delas. Os tr\u00eas pa\u00edses citados aprimoraram seu sistema de ensino em regimes militares, o que n\u00e3o \u00e9 a realidade do Brasil, felizmente. Mas a estrat\u00e9gia central dessas na\u00e7\u00f5es foi adotar medidas de forma gradual. Essa \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o que o Brasil tem dificuldades para aprender. Queremos fazer tudo de uma s\u00f3 vez, e acabamos n\u00e3o fazendo nada direito. A Coreia do Sul, por exemplo, realizou sua reforma entre os anos 1950 e 1980. Primeiro, reestruturou o ensino prim\u00e1rio, depois, o gin\u00e1sio, e assim por diante. A outra estrat\u00e9gia acertada dessas na\u00e7\u00f5es foi construir as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao sucesso do ensino. Dou novamente um exemplo dos sul-coreanos: eles introduziram um programa de ensino rigoroso, tocado por professores bem formados. Temos tamb\u00e9m exemplos de democracias que fizeram reformas educacionais bem-sucedidas,\u00a0como Finl\u00e2ndia e Irlanda. A Finl\u00e2ndia tinha \u00edndices muito inferiores aos dos demais pa\u00edses escandinavos. H\u00e1 cerca de trinta anos, eles elaboraram um plano de ensino extremamente rigoroso, que inclu\u00eda forma\u00e7\u00e3o lapidar de professores.<br \/>\n<strong><br \/>\nA sensa\u00e7\u00e3o generalizada \u00e9 que o ensino p\u00fablico nacional \u00e9 um desastre. \u00c9 uma vis\u00e3o errada?<br \/>\n<\/strong>\u00c9 uma vis\u00e3o correta. Sobretudo para as crian\u00e7as pobres, que teriam na escola a \u00fanica chance de ascens\u00e3o social. A escola \u00e9 um desastre quando analisada pela \u00f3tica das avalia\u00e7\u00f5es internacionais, e um desastre tamb\u00e9m do ponto de vista pessoal, individual. A \u00fanica chance que um cidad\u00e3o tem de melhorar de vida no Brasil \u00e9 por meio da educa\u00e7\u00e3o de qualidade. E ela n\u00e3o tem qualidade para a maioria das pessoas. O n\u00famero de jovens que chegam ao ensino m\u00e9dio \u00e9 baix\u00edssimo, e entre estes a evas\u00e3o \u00e9 uma calamidade. E o\u00a0governo \u00e9 incapaz de entender que h\u00e1 um modelo errado ali, que penaliza jovens justamente quando eles atravessam uma fase de afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O Enem foi criado\u00a0como ferramenta de avalia\u00e7\u00e3o e aprimoramento do ensino m\u00e9dio. Por\u00e9m, vem sofrendo mudan\u00e7as para atender a outro fim: a sele\u00e7\u00e3o de estudantes para universidades p\u00fablicas. Qual a avalia\u00e7\u00e3o do senhor a respeito?<br \/>\n<\/strong>Ningu\u00e9m consegue servir a dois senhores. O Enem nasceu\u00a0com\u00a0um formato, mas transformou-se em outra coisa. Ele nasceu para ser uma prova de avalia\u00e7\u00e3o das\u00a0compet\u00eancias dos jovens, mas n\u00e3o deu certo. Em seguida, tentou-se vender a ideia de que \u00e9 uma prova seletiva, um vestibular barato. E ficamos\u00a0com\u00a0esse tro\u00e7o que ningu\u00e9m sabe o que \u00e9. O Enem n\u00e3o tem a menor import\u00e2ncia. A ideia de ter uma forma simplificada de ingresso \u00e0 universidade \u00e9 bem-vinda, mas isso n\u00e3o serve para todos os estudantes do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p><strong>O que poderia ser feito para corrigir o ensino m\u00e9dio?<br \/>\n<\/strong>O Brasil tem a necessidade de atender a demandas da sociedade e da economia. Mas insistimos em fazer um ensino acad\u00eamico, reprovando alunos e negando qualquer futuro a essas pessoas. O grosso do curr\u00edculo escolar tem de ser voltado para a massa, para pessoas que v\u00e3o enfrentar o mercado de trabalho. Uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, profissional, para aquele sujeito que vai trabalhar no shopping, no telemarketing. N\u00e3o h\u00e1 dem\u00e9rito algum nisso: essa \u00e9 a base das economias de servi\u00e7o. Nos Estados Unidos, a maior economia do mundo, 50% das pessoas que est\u00e3o no mercado de trabalho t\u00eam apenas o ensino m\u00e9dio. \u00c9 um n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o que permite a efici\u00eancia da economia. Aqui, quem possui somente o ensino m\u00e9dio \u00e9 considerado um fracassado.<\/p>\n<p><strong>Tramita no Congresso o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, que prev\u00ea aumentar o percentual do PIB destinado \u00e0 \u00e1rea de 5% para 10%. A falta de dinheiro \u00e9 a raz\u00e3o de crian\u00e7as n\u00e3o saberem ler ou operar conceitos fundamentais de matem\u00e1tica?<br \/>\n<\/strong>O pa\u00eds deve investir em educa\u00e7\u00e3o, mas colocar dinheiro na equa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 jog\u00e1-lo fora. O problema mais importante \u00e9 a gest\u00e3o. N\u00e3o adianta p\u00f4r mais dinheiro no sistema atual porque ele vai ser malgasto. \u00c9\u00a0como pagar dois professores que n\u00e3o sabem ensinar: melhor \u00e9 pagar somente um bom mestre. Temos problemas estruturais muito graves: se eles n\u00e3o forem resolvidos, n\u00e3o haver\u00e1 financiamento que baste. Desde 1995, o sal\u00e1rio do professor quintuplicou no Brasil, mas n\u00e3o houve avan\u00e7o no desempenho do ensino. Ent\u00e3o, aumentar uma vari\u00e1vel s\u00f3 n\u00e3o vai mexer no resultado. A equa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais\u00a0complexa. Al\u00e9m disso, 10% \u00e9 uma cifra descabida do ponto de vista da macroeconomia.<\/p>\n<p><strong>O pa\u00eds estabeleceu metas para o ensino b\u00e1sico at\u00e9 2021.\u00a0Como estar\u00e1 o Brasil, do ponto de vista da educa\u00e7\u00e3o, \u00e0s v\u00e9speras do bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia?<br \/>\n<\/strong>Estaremos no mesmo patamar. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para pensar que ser\u00e1 diferente. N\u00e3o se muda a educa\u00e7\u00e3o estabelecendo metas, mas a partir de institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 milagre. Uma vez que n\u00e3o existe investimento nas pol\u00edticas corretas, n\u00e3o h\u00e1 por que achar que teremos uma situa\u00e7\u00e3o melhor no futuro.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 d\u00e9cadas governos estaduais, municipais e federal se vangloriam de suas escolas-modelo, unidades que recebem toda a aten\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o de plant\u00e3o e que, por isso, se destacam dos demais col\u00e9gios p\u00fablicos pela excel\u00eancia. Os governantes deveriam, na verdade, se envergonhar da situa\u00e7\u00e3o, afirma o educador Jo\u00e3o Batista Ara\u00fajo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. 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