{"id":6353,"date":"2012-11-18T06:04:04","date_gmt":"2012-11-18T09:04:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/?p=6353"},"modified":"2012-11-18T06:17:11","modified_gmt":"2012-11-18T09:17:11","slug":"cidadaos-optam-por-%c2%b4exageros%c2%b4-para-garantir-a-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/cidadaos-optam-por-%c2%b4exageros%c2%b4-para-garantir-a-seguranca\/","title":{"rendered":"Cidad\u00e3os optam por \u00b4exageros\u00b4 para garantir a seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div class=\"mceTemp\" style=\"text-align: justify;\">\n<dl id=\"\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 310px;\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><a href=\"http:\/\/hotsite.diariodonordeste.com.br\/diariouploads\/uploads\/f192f0a5b64bcfbe9023f0d5e28626fb.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"O rastreamento pessoal \u00e9 um sistema em que \u00e9 poss\u00edvel saber exatamente onde est\u00e1 um ve\u00edculo e ter acesso \u00e0 imagem em tempo real FOTO: WALESKA SANTIAGO\" src=\"http:\/\/hotsite.diariodonordeste.com.br\/diariouploads\/uploads\/f192f0a5b64bcfbe9023f0d5e28626fb.jpg\" alt=\"O rastreamento pessoal \u00e9 um sistema em que \u00e9 poss\u00edvel saber exatamente onde est\u00e1 um ve\u00edculo e ter acesso \u00e0 imagem em tempo real FOTO: WALESKA SANTIAGO\" width=\"300\" height=\"192\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"wp-caption-dd\"><span style=\"color: #0000ff;\"><em><strong>O rastreamento pessoal \u00e9 um sistema em que \u00e9 poss\u00edvel saber exatamente onde est\u00e1 um ve\u00edculo e ter acesso \u00e0 imagem em tempo real<\/strong><\/em><\/span> FOTO: WALESKA SANTIAGO<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #008000;\"><strong>CRIMINALIDADE<\/strong><\/span><br \/>\nEquipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o v\u00e3o do rastreamento de ve\u00edculos at\u00e9 o controle de acesso pela \u00edris<br \/>\n<\/em><br \/>\nOs extremos norteiam comportamentos dos fortalezenses na medida em que aumenta a viol\u00eancia na Capital. Eles acabam investindo e se tornando dependentes de sistemas de seguran\u00e7a, chegando ao ponto de ter de colocar uma senha para subir no elevador do pr\u00f3prio pr\u00e9dio. Hoje, as pessoas optam por se manterem &#8220;seguras&#8221; em suas casas cercadas por grades, muros altos, vigiadas por c\u00e2meras 24 horas por dia. Enclausuradas, elas vivem o medo e por isso investem em sistemas avan\u00e7ados de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o do coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade Federal do Cear\u00e1 (LEV), C\u00e9sar Barreira, o problema \u00e9 que os cidad\u00e3os n\u00e3o t\u00eam confian\u00e7a nos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica e, portanto, n\u00e3o denunciam, pois n\u00e3o acreditam na resolu\u00e7\u00e3o dos casos pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A gente vive uma cultura individualista em que a preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em aumentar os muros, colocar grades e assegurar a tranquilidade pessoal e da fam\u00edlia&#8221;, comenta. O coordenador ressalta que essa pr\u00e1tica de colocar muros altos nas casas acaba aumentado ainda mais a possibilidade da realiza\u00e7\u00e3o de roubos e furtos. Ele explica que uma resid\u00eancia vazada (com grades), com abertura para a rua, inibe esses delitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As ocorr\u00eancias aumentam nos fins de semana justamente porque \u00e9 quando as ruas est\u00e3o mais vazias. A popula\u00e7\u00e3o precisa estar vigilante e ocupar os espa\u00e7os urbanos como forma de coibir assaltos&#8221;, avisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, \u00e9 poss\u00edvel contar com equipamentos de seguran\u00e7a de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, como o controle de acesso por meio da \u00edris, pela face ou pela digital, chamado de biometria; e at\u00e9 o rastreamento de ve\u00edculos em que \u00e9 poss\u00edvel localizar o motorista onde quer que ele esteja e at\u00e9 ver imagem em tempo real do autom\u00f3vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O monitoramento pode ser feito com um rastreador pessoal, menor do que um celular. O aparelho liga, inclusive, para tr\u00eas n\u00fameros cadastrados, caso a pessoa esteja em risco, bastando acionar um bot\u00e3o. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 o sistema de alarme com comunica\u00e7\u00e3o via chip de celular. De acordo com o propriet\u00e1rio da Fort Rastreamento, empresa especializada em seguran\u00e7a, Pedro Adri\u00e3o, o aumento dos \u00edndices de viol\u00eancia provocam uma procura maior por equipamentos, em cerca de 20% ao ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, como acrescenta o empres\u00e1rio, a melhora no poder aquisitivo das pessoas tamb\u00e9m faz com que elas invistam mais na seguran\u00e7a pessoal. &#8220;A criminalidade chegou a tal ponto que a pol\u00edcia n\u00e3o d\u00e1 mais conta, mas todo mundo quer seguran\u00e7a, ent\u00e3o o jeito \u00e9 investir em sistemas particulares&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gerente de seguran\u00e7a eletr\u00f4nica da Corpus Fortaleza, George C\u00e2mara, afirma que a procura por sistemas de seguran\u00e7a aumenta no fim do ano, quando as pessoas viajam e precisam deixar a casa vazia, e no com\u00e9rcio, quando as vendas aumentam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um pr\u00e9dio localizado na Aldeota, em Fortaleza, \u00e9 preciso que o morador coloque uma senha para subir no elevador. Fora isso, seguran\u00e7as est\u00e3o por toda parte e um circuito interno de TV, com 32 c\u00e2meras, vigia quem entra e quem sai. A administra\u00e7\u00e3o do condom\u00ednio informa que s\u00e3o os pr\u00f3prios moradores que solicitaram esse esquema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Biom\u00e9trico<br \/>\n<\/strong>A Academia Via Clinic, no bairro Dion\u00edsio Torres, adotou o controle de acesso biom\u00e9trico por meio da digital. Os alunos s\u00e3o cadastrados e s\u00f3 t\u00eam acesso ao local dos aparelhos de gin\u00e1stica com autoriza\u00e7\u00e3o do sistema. O instrutor de muscula\u00e7\u00e3o da Via Clinic, Vitor de Castro Fran\u00e7a, revela que a inten\u00e7\u00e3o da academia foi organizar melhor o fluxo de entrada e sa\u00edda, mas o controle de acesso acaba trazendo seguran\u00e7a. O advogado Leonardo Vieira, aluno da Via Clinic, sente-se mais seguro dessa forma. Ele acredita que esse tipo de tecnologia inibe ocorr\u00eancias de assaltos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/\u00e2mars-Seguran\u00e7a.jpg\" rel=\"attachment wp-att-6357\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-6357\" title=\"\u00e2mars Seguran\u00e7a\" src=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/\u00e2mars-Seguran\u00e7a.jpg\" alt=\"\" width=\"156\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/\u00e2mars-Seguran\u00e7a.jpg 156w, https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/\u00e2mars-Seguran\u00e7a-83x300.jpg 83w\" sizes=\"auto, (max-width: 156px) 100vw, 156px\" \/><\/a>Bairros nobres s\u00e3o alvo da viol\u00eancia<br \/>\n<\/strong>A criminalidade aumenta, a cada dia, em Fortaleza. E os bairros nobres s\u00e3o os alvos preferidos. A Aldeota, por exemplo, registrou, de janeiro a outubro deste ano, 232 delitos, sendo 120 roubos e 112 furtos. O Centro tamb\u00e9m \u00e9 um dos mais inseguros. Foram 323 roubos e furtos em 2012. Os dados s\u00e3o da Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica e Defesa Social do Estado do Cear\u00e1 (SSPDS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O titular da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), Dion\u00edsio Amaral, reconhece que a demanda \u00e9 bem maior do que o efetivo do \u00f3rg\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de atender. Segundo ele, os casos que mais acontecem s\u00e3o roubos de ve\u00edculos usados para a realiza\u00e7\u00e3o de assaltos e que depois s\u00e3o abandonados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe \u00e0 Pol\u00edcia Militar atuar na preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia. O tenente-coronel Fernando Albano, assessor de comunica\u00e7\u00e3o da PM, revela que as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o intensificadas nos bairros onde os \u00edndices de criminalidade s\u00e3o maiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade Federal do Cear\u00e1 (LEV), o roubo \u00e9 definido como resultado da desigualdade social. &#8220;Para obter bens de consumo, pessoas acabam usando de m\u00e9todos il\u00edcitos&#8221;, destaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro problema apontado por C\u00e9sar Barreira \u00e9 que os delitos tamb\u00e9m s\u00e3o cometidos para pagar d\u00edvidas do tr\u00e1fico de drogas. Ele lembra que os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica precisam estar nas ruas para coibir essas a\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 necess\u00e1rio trabalhar tamb\u00e9m a impunidade&#8221;. Isso porque, segundo o especialista, os bandidos fazem o c\u00e1lculo, cometendo assaltos apenas se n\u00e3o tiverem de pagar. &#8220;Quanto menor o risco de ser preso, maior \u00e9 o destemor de realizar o delito&#8221;, comenta.<br \/>\n<strong><br \/>\nLINA MOSCOSO<br \/>\n<\/strong>REP\u00d3RTER<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>OPINI\u00c3O DO ESPECIALISTA<br \/>\n<\/em><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vivemos a arquitetura do medo<br \/>\n<\/strong>Nos \u00faltimos 20, 30 anos, temos visto uma arquitetura do medo no que concerne \u00e0 forma como as habita\u00e7\u00f5es s\u00e3o constru\u00eddas. O tipo de estrutura \u00e9 baseada no temor, na tentativa de levar para as pessoas uma seguran\u00e7a que \u00e9 subjetiva. Trata-se de uma arquitetura vinculada ao aumento da viol\u00eancia e \u00e0 publiciza\u00e7\u00e3o das estat\u00edsticas. O medo subjetivo est\u00e1 vinculado aos dados e a outras quest\u00f5es, como o temor do outro, as diferen\u00e7as de classes e o sistema de preconceito de valores. Isso vem marcando o nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos 30 anos, a autossegrega\u00e7\u00e3o espacial (moradia em condom\u00ednios fechados) e o autoenclausuramento em espa\u00e7os fechados, como shoppings e parques privados, tem servido como forma de prote\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que seria o medo. Com isso, o lazer e a cultura come\u00e7am a passar pela &#8220;privatiza\u00e7\u00e3o&#8221;. As consequ\u00eancias s\u00e3o o esvaziamento dos espa\u00e7os p\u00fablicos, que j\u00e1 s\u00e3o an\u00f4micos (sem regras, apesar de elas existirem) e an\u00eamicos (sem vida). E isso cria um ciclo vicioso que precisa ser rompido. As ruas vazias contribuem para a inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a seguran\u00e7a funciona para al\u00e9m da quest\u00e3o espacial. H\u00e1 de se levar em considera\u00e7\u00e3o o fator institucional. Nos \u00faltimos anos, ela tem se tornado o principal problema dos governos. Tem se configurado a militariza\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o urbana. Assim, os outros problemas acabam sendo encobertos. H\u00e1 um div\u00f3rcio entre o planejamento urbano e a seguran\u00e7a p\u00fablica. No entanto, as formas das cidades s\u00e3o fundamentais para gerar a tranquilidade. \u00c9 preciso reconfigurar planejamento e seguran\u00e7a de forma conjunta. Al\u00e9m disso, reconstruir a vida comunit\u00e1ria at\u00e9 onde for poss\u00edvel. Isso seria uma forma de atenuar o medo e a inseguran\u00e7a na vida urbana.<br \/>\n<strong><br \/>\n\u00c9lcio Batista<br \/>\n<\/strong>Soci\u00f3logo e pesquisador do LEV\/UFC<\/p>\n<p>Fonte: <strong><span style=\"color: #008000;\"><a href=\"http:\/\/diariodonordeste.globo.com\/materia.asp?codigo=1204517\"><span style=\"color: #008000;\">Di\u00e1rio do Nordeste<\/span><\/a><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os extremos norteiam comportamentos dos fortalezenses na medida em que aumenta a viol\u00eancia na Capital. Eles acabam investindo e se tornando dependentes de sistemas de seguran\u00e7a, chegando ao ponto de ter de colocar uma senha para subir no elevador do pr\u00f3prio pr\u00e9dio. Hoje, as pessoas optam por se manterem &#8220;seguras&#8221; em suas casas cercadas por grades, muros altos, vigiadas por c\u00e2meras 24 horas por dia. 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