{"id":7389,"date":"2013-04-14T16:21:05","date_gmt":"2013-04-14T19:21:05","guid":{"rendered":"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/?p=7389"},"modified":"2017-07-26T16:00:08","modified_gmt":"2017-07-26T19:00:08","slug":"pracas-do-centro-abandono-sujeira-inseguranca-e-degradacao-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/pracas-do-centro-abandono-sujeira-inseguranca-e-degradacao-ambiental\/","title":{"rendered":"Pra\u00e7as do Centro: abandono, sujeira, inseguran\u00e7a e degrada\u00e7\u00e3o ambiental"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #008000;\"><strong>FORTALEZA<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">Com exce\u00e7\u00e3o do Passeio P\u00fablico, as outras enfrentam lixo, descaso e viraram abrigo para moradores de ruas<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/hotsite.diariodonordeste.com.br\/diariouploads\/uploads\/feafbc07bffe477ad21b548df0fe22d7.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"373\" align=\"left\" \/><span style=\"color: #000000;\">Ao tentar passear pelas pra\u00e7as do Centro, o empres\u00e1rio espanhol, Juan Diaz, foi alertado por amigos brasileiros: cuidado e n\u00e3o se espante com o cen\u00e1rio de abandono.\u00a0Juan pensou que n\u00e3o poderia deixar Fortaleza sem conhecer, pelo menos, o \u00edcone da Capital: a Pra\u00e7a do Ferreira. Ficou desiludido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Principal \u00edcone de Fortaleza, a Pra\u00e7a do Ferreira virou banheiro p\u00fablico fotos: Jos\u00e9 Leomar<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ali, se deparou com lixo, bancos quebrados e pior de tudo: a fonte est\u00e1 inativa e serve como banheiro p\u00fablico para os in\u00fameros moradores de rua que &#8220;adotaram&#8221; o espa\u00e7o como dormit\u00f3rio e ganho de vida. &#8220;Fiquei decepcionado. Se aqui, que aparece em propagada do governo como sendo cart\u00e3o-postal, imagino o resto&#8221;, questionou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O cen\u00e1rio encontrado pelo turista reflete o descaso com nosso patrim\u00f4nio p\u00fablico e cultural. E alerta que, ao completar 287 anos de exist\u00eancia, Fortaleza precisa olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para as suas pra\u00e7as. Dos 23 logradouros do Centro, apenas o Passeio P\u00fablico est\u00e1 em bom estado para uso da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O restante est\u00e1 &#8220;invadida&#8221; por viciados em drogas e sofre com o abandono. Nas comemora\u00e7\u00f5es pelo anivers\u00e1rio da cidade, a reportagem do Di\u00e1rio do Nordeste percorreu as principais pra\u00e7as do Centro e encontrou uma triste situa\u00e7\u00e3o: al\u00e9m da Pra\u00e7a do Ferreira, j\u00e1 citada acima, as outras carecem de reforma, policiamento e prote\u00e7\u00e3o aos monumentos. J\u00e1 A Pra\u00e7a General Tib\u00farcio, a Pra\u00e7a dos Le\u00f5es, \u00e9 um exemplo. Ali, a est\u00e1tua de Rachel de Queiroz, teve os \u00f3culos roubados e grupo de moradores de rua e viciados em drogas afastam os frequentadores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Luta<br \/>\n<\/strong><\/span>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Defensores do Livro e diretor de Patrim\u00f4nio P\u00fablico do Conselho Comunit\u00e1rio de Defesa Social, Francisco Jos\u00e9 Machado, conta que a luta \u00e9 di\u00e1ria para manter o espa\u00e7o limpo (o coreto virou banheiro p\u00fablico e o mau-cheiro chama aten\u00e7\u00e3o). &#8220;Queremos promover na pra\u00e7a atividades culturais e para isso, temos a promessa do titular da Secretaria Regional do Centro (Sercefor), R\u00e9gis Lopes&#8221;, garante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A comerciante Antonieta Pereira reclama das condi\u00e7\u00f5es da Pra\u00e7a Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, conhecida como a do 5\u00ba Batalh\u00e3o. Al\u00e9m da sujeira e bancos quebrados, ela conta que os sem-tetos ficam despidos para tomar banho de cuia e fazem sexo para quem quiser presenciar sem nenhum constrangimento. &#8220;\u00c9 uma imoralidade total&#8221;, lamenta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A Pra\u00e7a Cl\u00f3vis Bevil\u00e1qua virou um problema cr\u00f4nico. A das Esculturas est\u00e1 pichada, suja e alguns monumentos faltando. A da Esta\u00e7\u00e3o, ponto de ambulantes, e a dos Volunt\u00e1rios precisa de reforma urgente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na Pra\u00e7a do Cristo Redentor, o piso est\u00e1 esburacado e os bancos em p\u00e9ssimo estado de conserva\u00e7\u00e3o. A dona de casa Joana Te\u00f3filo, critica o abandono. &#8220;Essa pra\u00e7a est\u00e1 pr\u00f3xima ao Drag\u00e3o do Mar, Avenida Monsenhor Tabosa e Mercado Central. Era para ser uma pra\u00e7a bem cuidada e policiada&#8221;, ressalta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 observada na Pra\u00e7a Dom Pedro II (Pra\u00e7a da S\u00e9). Nela, a chamada fonte cin\u00e9tica, obra do artista S\u00e9rvulo Esmeraldo, continua desativada. &#8220;Nos anos que trabalho aqui, nunca a vi funcionar&#8221; comenta o taxista Pedro Lopes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Alternativas<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/hotsite.diariodonordeste.com.br\/diariouploads\/uploads\/43819480a8d1ee2781677d67b68a997e.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"136\" align=\"left\" \/>O professor Jos\u00e9 Borzacchiello da Silva avalia que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o desconhece suas pra\u00e7as e nem as ignora. Isso s\u00f3 acontece, aponta, nos bairros mais equipados, ocupados por segmentos sociais de maior poder aquisitivo que encontram espa\u00e7os alternativos para o \u00f3cio e o lazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Moradores de rua e viciados em drogas &#8220;tomaram&#8221; os espa\u00e7os que deveriam ser da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Ali, eles dormem sobre os bancos, tomam banho e comem<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"> Mesmo assim, argumenta, a pr\u00e1tica da caminhada e de exerc\u00edcios ao ar livre tem devolvido as pra\u00e7as \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pra\u00e7as do Centro, ele frisa que \u00e9 imperativo recuperar a Pra\u00e7a do Ferreira. &#8220;\u00c9 a mais famosa de Fortaleza, com significativa express\u00e3o simb\u00f3lica na cultura da cidade. Cont\u00e9m universos distintos e experi\u00eancias m\u00faltiplas&#8221;, aponta o especialista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ele lembra que ali \u00e9 o espa\u00e7o natalino preferencial da cidade. A Coluna da Hora, relaciona, e os quiosques dos antigos caf\u00e9s registram a import\u00e2ncia de seus tempos pret\u00e9ritos. &#8220;A velha cacimba do botic\u00e1rio Ferreira, marca presen\u00e7a, reiterando a imagem de seu antigo prefeito&#8221;, salienta, acrescentando que a por\u00e7\u00e3o norte da pra\u00e7a, com a Travessa Par\u00e1, que ocupa a \u00e1rea do antigo Abrigo Central, contrasta com os edif\u00edcios restaurados na por\u00e7\u00e3o sul. &#8220;Nessa face \u00e9 sempre poss\u00edvel um pastel e um caldo de cana. O mesmo acontece com as faces leste e oeste. Numa, o dom\u00ednio dos armaz\u00e9ns de tecido, noutra o Excelsior e o S\u00e3o Luiz e a conservada farm\u00e1cia&#8221;, ressalta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m disso, indica o jornalista e historiador Miguel \u00c2ngelo de Azevedo, o Nirez, a Pra\u00e7a do Ferreira abriga grupos de discuss\u00e3o pol\u00edtica, a diversidade com todas as suas varia\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 um espa\u00e7o democr\u00e1tico por excel\u00eancia e orgulho da cidade&#8221;, pontua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Investimento<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/hotsite.diariodonordeste.com.br\/diariouploads\/uploads\/cbe283588e412bf9ec1ff2f4ca60ffe0.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"163\" align=\"left\" \/>O promotor de Justi\u00e7a e titular do N\u00facleo de Atua\u00e7\u00e3o Especial, Controle, Fiscaliza\u00e7\u00e3o e Acompanhamento de Pol\u00edticas de Tr\u00e2nsito, do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE), Gilvan Melo, avalia que investir nas pra\u00e7as \u00e9 aplicar em qualidade de vida. &#8220;S\u00e3o lugares para ver e ser visto, para comprar e fazer neg\u00f3cios, para passear e fazer pol\u00edtica. No entanto, elas precisam de maior zelo n\u00e3o s\u00f3 do poder p\u00fablico. O cidad\u00e3o tamb\u00e9m precisa recuperar o sentido de pertencimento e reconquistar esses espa\u00e7os&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A doutora em Planejamento urbano, Cleide Bernal, analisa que atualmente, o jovem da Fortaleza urbanizada, modernizada e p\u00f3s-modernizada n\u00e3o conhece a cidade. Ele, que s\u00f3 vai de casa para a escola, universidade ou para o shopping e \u00e0 praia, n\u00e3o tem um conhecimento, sequer, geogr\u00e1fico da cidade. Com isso, as pra\u00e7as podem e devem oferecer op\u00e7\u00e3o atrativa para que todos possam ter esse logradouros como &#8220;ref\u00fagios&#8221; verdes e ar puro. &#8220;Mas, \u00e9 preciso investir&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para o historiador Sebasti\u00e3o Ponte, \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta tamb\u00e9m que as pra\u00e7as sofrem concorr\u00eancia de muitas op\u00e7\u00f5es de lazer, como cinema, shoppings, TV, praia, shows, futebol, restaurantes e internet.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No s\u00e9culo XIX at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1920, em Fortaleza, por exemplo, lembra, havia pouqu\u00edssimas fontes de lazer coletivo, ent\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o lotava as pra\u00e7as centrais e, sobretudo, o Passeio P\u00fablico para desfilar com a melhor roupa ou a vestimenta da moda, flertar, passear, conversar, namorar ao som das bandinhas postadas dentro dos coretos. &#8220;Mas, a partir de 1917, come\u00e7ou a era do cinema em Fortaleza, e depois o r\u00e1dio, os banhos de mar (de 1925 em diante), clubes praianos (anos 50) e as pra\u00e7as foram sendo deixadas em segundo plano. Isso n\u00e3o deve acontecer e as pra\u00e7as do Centro devem integrar o plano de requalifica\u00e7\u00e3o do bairro&#8221;, conta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A arquiteta e urbanista Denise Almeida diz que as pra\u00e7as s\u00e3o dos mais ricos espa\u00e7os de conviv\u00eancia da cidade. &#8220;Fora o Passeio P\u00fablico, o Centro, apesar de ser rico em pra\u00e7as, n\u00e3o oferece a quem aprecia estar nelas, pra\u00e7as requalificadas e, mais que isso, com seguran\u00e7a 24 horas. Isso vai motivar a popula\u00e7\u00e3o&#8221;, aposta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Se, segundo o jurista ambientalista Paulo Affonso Leme Machado, &#8220;a pra\u00e7a n\u00e3o deve ser conservada porque \u00e9 uma paisagem not\u00e1vel. Mas simplesmente &#8211; e basta &#8211; porque \u00e9 uma pra\u00e7a&#8221;, Fortaleza ainda tem muito o que refletir e realizar sobre isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A reportagem tentou, por quatro dias, ouvir o titular da Secretaria Executiva Regional do Centro de Fortaleza (Sercefor), R\u00e9gis Dias, sobre os projetos, prazos e recursos para as pra\u00e7as do Centro, sem obter sucesso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Passeio P\u00fablico \u00e9 \u00fanica exce\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/hotsite.diariodonordeste.com.br\/diariouploads\/uploads\/1a9013bfa04d624a3b49079fbcee2b43.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"204\" align=\"left\" \/>Os ru\u00eddos da cidade d\u00e3o vez ao cantos dos p\u00e1ssaros, o calor quase insuport\u00e1vel d\u00e1 lugar \u00e0 sombra de frondosas \u00e1rvores e a sensa\u00e7\u00e3o de tranquilidade substitui a correria decorrente da vida urbana. Sim, o Passeio P\u00fablico virou um o\u00e1sis no Centro de Fortaleza. \u00danico logradouro &#8220;reconquistado&#8221; pela popula\u00e7\u00e3o da cidade, \u00e9 exemplo de que \u00e9 poss\u00edvel retomar as outras pra\u00e7as do Centro da Capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Mais antiga e arborizada pra\u00e7a da Munic\u00edpio, o Passeio P\u00fablico \u00e9 um dos equipamentos culturais mais simb\u00f3licos para a Cidade e &#8220;redescoberto&#8221; pela popula\u00e7\u00e3o de Fortaleza ap\u00f3s reforma, em 2007. \u00c9 refer\u00eancia e cart\u00e3o-postal da Capital<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Aqui \u00e9 muito legal. Depois da reforma, sempre que estamos no Centro, n\u00e3o deixamos de descansar na Pra\u00e7a&#8221;, afirma a professora Maria Aparecida de Souza. Ela e a filha, Juliana, se dizem encantadas com o lugar. &#8220;Minha m\u00e3e me contou que aqui j\u00e1 esteve na maior bagun\u00e7a. \u00c9 incr\u00edvel como mudou. No meio dessa cidade agitada, aqui \u00e9 um pedacinho do para\u00edso&#8221;, diz a garota.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar, sentida por m\u00e3e e filha e por quem visita o espa\u00e7o, \u00e9 explicada pela pesquisadora Junia Maria Correa. Segundo ela, os muitos benef\u00edcios trazidos pelas pra\u00e7as p\u00fablicas decorrem tanto da vegeta\u00e7\u00e3o que pode ser abrigada por elas, quanto de aspectos subjetivos relacionados \u00e0 sua exist\u00eancia, como a influ\u00eancia positiva no psicol\u00f3gico da popula\u00e7\u00e3o, proporcionada pelo contato com a \u00e1rea verde e pelo uso do espa\u00e7o para o conv\u00edvio social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O local foi edificado no s\u00e9culo XVIII como Largo de Fortaleza. De l\u00e1 para c\u00e1, j\u00e1 foi chamado de Largo do Paiol, Largo do Hospital da Caridade, Largo da Miseric\u00f3rdia. Em 1879, ap\u00f3s o fuzilamento de seis envolvidos na Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, passou a ser conhecido como Largo dos M\u00e1rtires. Apenas em 1881, come\u00e7ou a ser identificado como Passeio P\u00fablico. Foi tombado pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) em 1965. A pra\u00e7a passou por per\u00edodos de esquecimento. No come\u00e7o dos anos 2000, eram poucas as fam\u00edlias que costumavam usar o local para lazer. Hoje, depois da revitaliza\u00e7\u00e3o realizada em 2007, voltou a ser frequentado pela popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>OPINI\u00c3O DO ESPECIALISTA<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>Educa\u00e7\u00e3o patrimonial \u00e9 sa\u00edda<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> Gerson Linhares<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> Educador e turism\u00f3logo<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Fortaleza com seus 287 anos de hist\u00f3ria ainda guarda suas rel\u00edquias arquitet\u00f4nicas em um Centro antigo esquecido por\u00e9m ainda majestoso em suas ecl\u00e9ticas formas, tons e cores. Caminhamos h\u00e1 18 anos atrav\u00e9s do Programa Fortaleza a P\u00e9 pelas suas ruas, antigos boulevards e logradouros centen\u00e1rios, um programa de educa\u00e7\u00e3o patrimonial onde o cidad\u00e3o cearense tem a oportunidade de revisitar seus espa\u00e7os e relembrar sua mem\u00f3ria patrimonial. Pra\u00e7as e logradouros nost\u00e1lgicos nos remetem a um passado rico de tradi\u00e7\u00e3o e bucolismo. Material importado que vinha do Velho Mundo para destacar a import\u00e2ncia de se ter uma cidade aformoseada com seus palacetes, casar\u00f5es, igrejas centen\u00e1rias e monumentos em homenagem aos part\u00edcipes da sociedade vindoura. Tudo pelo belo, pela disciplina e pela est\u00e9tica da belle \u00e9poque.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A realidade do Centro antigo da Capital \u00e9 assim, um caldeir\u00e3o de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, sempre \u00e0 espera de um olhar mais sens\u00edvel do cidad\u00e3o e de um toque de maestria pela preserva\u00e7\u00e3o por parte do poder p\u00fablico local. Um patrim\u00f4nio esquecido, alquebrado e n\u00e3o respeitado. Muitos problemas oriundos da falta de vis\u00e3o das antigas gest\u00f5es municipais que se acumularam como tempo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nos deparamos com uma sociedade sem educa\u00e7\u00e3o, sem a valoriza\u00e7\u00e3o da nossa hist\u00f3ria, sem mem\u00f3ria preservada, sem a dec\u00eancia do bem zelar. Um poder municipal que ainda \u00e9 aguardado pelas boas novas na \u00e1rea patrimonial. Ent\u00e3o, defendemos: caminhar para conhecer, conhecer e caminhar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 assim que cada cidad\u00e3o deveria agir, um toque sutil pela luta inconstante de educar um povo. Um gesto simples e volunt\u00e1rio que realizamos h\u00e1 anos pelos bairros antigos da nossa capital, tudo em prol da educa\u00e7\u00e3o e da valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e arquitet\u00f4nico. Fazemos papel de contadores da hist\u00f3ria, mediadores de saberes e conflitos, de conciliadores da hist\u00f3ria, vigilantes do patrim\u00f4nio, de ouvidores do bem p\u00fablico e de verdadeiros amantes e amigos do Centro. Quem j\u00e1 participou gostou e aprovou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O programa defende ainda que \u00e9 preciso promover mais educa\u00e7\u00e3o patrimonial nas escolas, nos bairros e comunidades. Os cidad\u00e3os da antiga e nova Fortaleza ir\u00e3o agradecer e com certeza buscar\u00e3o novos caminhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Educa\u00e7\u00e3o patrimonial para a popula\u00e7\u00e3o e turismo cultural aos turistas &#8211; a\u00e7\u00f5es imediatas para os 287 anos da nossa Capital.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>FIQUE POR DENTRO<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>As faces das \u00e1reas verdes ao longo do tempo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> A fun\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das \u00e1reas verdes (pra\u00e7as e jardins), na antiguidade, destinava-se essencialmente ao uso e prazer de imperadores e sacerdotes. Na Gr\u00e9cia, tais espa\u00e7os foram ampliados n\u00e3o s\u00f3 para passeios, mas tamb\u00e9m para encontros e discuss\u00e3o filos\u00f3fica. Na Idade M\u00e9dia, as \u00e1reas verdes eram formadas no interior das quadras e depois desapareceram com as edifica\u00e7\u00f5es em decorr\u00eancia do crescimento das cidades. No Renascimento, transformam-se em gigantescas cenografias, evoluindo, no Romantismo, como parques urbanos e lugares de repouso e distra\u00e7\u00e3o dos citadinos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com o surgimento das ind\u00fastrias e o crescimento das cidades, os espa\u00e7os verdes deixaram de ter fun\u00e7\u00e3o apenas de lazer, mas passaram a ser uma necessidade urban\u00edstica, de higiene, de recrea\u00e7\u00e3o e de preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente urbano. Primeiros espa\u00e7os livres p\u00fablicos urbanos. Assim, atra\u00edam as resid\u00eancias mais luxuosas, os pr\u00e9dios p\u00fablicos mais importantes e o principal com\u00e9rcio, al\u00e9m de servir como local de conviv\u00eancia da comunidade e como elo de liga\u00e7\u00e3o entre esta e a par\u00f3quia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>ENQUETE<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea acha das pra\u00e7as do Centro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>&#8220;A Pra\u00e7a Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, a do 5\u00ba Batalh\u00e3o, est\u00e1 muito abandonada mesmo. Quem trabalha aqui, como eu, que tenho banca de jornais e revistas, ou circula no entorno, percebe a situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil desse lugar&#8221;.<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> Everardo Silva<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> Comerciante<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>&#8220;Sou porteiro e todo dia, mas principalmente \u00e0 noite e fins de semana, sou testemunha do que acontece nessa Pra\u00e7a da Bandeira: viciados em drogas, morador de rua, sexo e roubos. \u00c9 muito complicado&#8221;.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Gleydson Oliveira<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> Porteiro<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>&#8220;A Pra\u00e7a do Ferreira est\u00e1 nunca situa\u00e7\u00e3o de fazer chorar. A fonte n\u00e3o funciona faz tempo e, com isso, o lixo toma de conta do lugar que serve como banheiro p\u00fablico para os moradores de rua e viciados&#8221;.<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> Francisco Tavares<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> Aut\u00f4nomo<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>FRASES<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>&#8220;A Pra\u00e7a do Ferreira \u00e9 a mais famosa da cidade, tendo significativa express\u00e3o simb\u00f3lica na cultura da cidade&#8221;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> Jos\u00e9 Borzacchiello<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"> Ge\u00f3grafo e professor<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>L\u00caDA GON\u00c7ALVES<\/strong><\/span><\/p>\n<p>REP\u00d3RTER<\/p>\n<p>Fonte <strong><span style=\"color: #008000;\"><a href=\"http:\/\/diariodonordeste.globo.com\/materia.asp?codigo=1254342\"><span style=\"color: #008000;\">Di\u00e1rio do Nordeste<\/span><\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/hotsite.diariodonordeste.com.br\/diariouploads\/uploads\/70034afae51167af5acc9bc4ef4f2177.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"481\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cen\u00e1rio encontrado pelos turistas refletem o descaso com nosso patrim\u00f4nio p\u00fablico e cultural. E alerta que, ao completar 287 anos de exist\u00eancia, Fortaleza precisa olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para as suas pra\u00e7as. Dos 23 logradouros do Centro, apenas o Passeio P\u00fablico est\u00e1 em bom estado para uso da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":62,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[61,63,64,33],"class_list":{"0":"post-7389","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-noticias","7":"tag-alencar","8":"tag-centro","9":"tag-ferreira","10":"tag-fortaleza"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/62"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7389"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7389\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11464,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7389\/revisions\/11464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}