{"id":9106,"date":"2014-07-26T08:02:58","date_gmt":"2014-07-26T11:02:58","guid":{"rendered":"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/?p=9106"},"modified":"2015-12-22T19:44:19","modified_gmt":"2015-12-22T22:44:19","slug":"a-praca-como-moradia-o-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/a-praca-como-moradia-o-povo\/","title":{"rendered":"A pra\u00e7a como moradia &#8211; O Povo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #3366ff;\"><strong>CENTRO DE FORTALEZA<\/strong><\/span>.<br \/>\n<em><strong><a href=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Mariana-Lazani.jpg\" rel=\"attachment wp-att-9113\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-9113 alignleft\" title=\"Mariana Lazani\" src=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Mariana-Lazani.jpg\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"44\" \/><\/a><\/strong><\/em><span style=\"color: #000080;\"><em><strong>Quando o com\u00e9rcio do Centro adormece, dormem na Pra\u00e7a do Ferreira diversas vidas e hist\u00f3rias que t\u00eam a rua como morada. Popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua da Capital \u00e9 estimada em cerca de 5 mil pessoas.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/O-Povo-26.7.14.jpg\" rel=\"attachment wp-att-9110\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-9110\" title=\"\u00c0 noite, a Pra\u00e7a do Ferreira abriga moradores de rua. Al\u00e9m da rede pendurada entre uma palmeira e um poste, h\u00e1 colch\u00f5es, panelas e cobertas\" src=\"http:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/O-Povo-26.7.14.jpg\" alt=\"\u00c0 noite, a Pra\u00e7a do Ferreira abriga moradores de rua. Al\u00e9m da rede pendurada entre uma palmeira e um poste, h\u00e1 colch\u00f5es, panelas e cobertas\" width=\"440\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/O-Povo-26.7.14.jpg 440w, https:\/\/ascefort.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/O-Povo-26.7.14-300x228.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/a>H\u00e1 um curto per\u00edodo do ano em que, quando anoitece, a Pra\u00e7a do Ferreira \u00e9 morada de todas as Fortalezas. Nos dias de Natal de Luz, a \u00e1rvore natalina tradicionalmente instalada ali parece dar uma chance diferente ao tal \u201ccora\u00e7\u00e3o de Fortaleza\u201d. Atrai fam\u00edlias, encanta crian\u00e7as, \u00e9 o retrato da \u201ccidade que d\u00e1 certo\u201d, com o Centro habitado, efervescente. Por\u00e9m, nas noites restantes, entre um Natal e outro, a pra\u00e7a vira, \u00e0 noite, morada de esquecidos &#8211; pela fam\u00edlia, pela sociedade, pelas oportunidades. Assim, o tal \u201ccora\u00e7\u00e3o de Fortaleza\u201d se fantasia de \u201ccasa\u201d (at\u00e9 com rede), mas \u00e9 daquelas pouco aceitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<span style=\"text-align: justify;\">No cora\u00e7\u00e3o que \u00e9 casa, as \u201cvisitas\u201d se tornam escassas depois das 19 horas. Com o fechamento dos com\u00e9rcios da regi\u00e3o, bra\u00e7os segurando peda\u00e7os de papel\u00e3o se multiplicam em busca de abrigo para a dormida. S\u00e3o os moradores chegando. A partir da\u00ed, quem n\u00e3o \u00e9 \u201cde casa\u201d segue com passadas apressadas que contrastam com a tranquilidade dos que ficam.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ficam por ali hist\u00f3rias e o sono de pessoas como Idejan Melo Tavares. Aos 40 anos, seis meses atr\u00e1s Idejan deixou para tr\u00e1s a carreira de sargento do Ex\u00e9rcito, a esposa, o Rio de Janeiro e partiu para o Cear\u00e1 \u201ccom a cara e a coragem\u201d, como diz. Foram problemas em casa e no trabalho que o fizeram partir. No Cear\u00e1, sem moradia, sem oportunidade, encontrou na pra\u00e7a (lugar onde s\u00f3 se sobrevive com uso de alguma subst\u00e2ncia como \u00e1lcool &#8211; at\u00e9 de posto de combust\u00edvel &#8211; ou drogas, conforme diz) cora\u00e7\u00f5es dispostos \u00e0 parceria. Tornou-se \u201cfilho por respeito\u201d de Ademilson Jos\u00e9 da Silva, 60, (o \u201cPernambuco\u201d) h\u00e1 anos nas ruas. Junto com Jos\u00e9 de Morais Fidalgo, 67, (o \u201cZ\u00e9 da Sopa\u201d) formam grupo com acordo de n\u00e3o roubar, mentir ou pedir \u2013 como Ademilson define.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Jos\u00e9, que se declara \u201co mais antigo\u201d habitante do local, com 30 anos de Pra\u00e7a do Ferreira, diz que a popula\u00e7\u00e3o habitante da pra\u00e7a tem crescido. Ademilson acusa presen\u00e7a mais intensa de \u201cbandidos\u201d \u2013 que seriam os causadores do medo de quem passa pelo local em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O ex-jogador de futebol, que conta ter atuado em clubes como N\u00e1utico e jogado, inclusive, no Maracan\u00e3, reflete que \u201ca rua ensina a viver\u201d. Mesmo com abrigo na casa dos irm\u00e3os, tem noite em que Ademilson prefere dormir na Pra\u00e7a do Ferreira. Est\u00e1 ali \u201cpor ironia do destino\u201d. Sonha em ter a liberdade de uma casa para chamar de sua. Porque nos abrigos e institui\u00e7\u00f5es pelos quais passou sobram isolamento e sentimento de pris\u00e3o. \u201cMudo de vida por uma casa minha\u201d, projeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ocupa\u00e7\u00e3o da pra\u00e7a<br \/>\n<\/strong>Na Pra\u00e7a do Ferreira, a popula\u00e7\u00e3o parece t\u00e3o enraizada que, al\u00e9m da rede pendurada entre uma palmeira e um poste, h\u00e1 colch\u00f5es, panelas, cobertas. Crian\u00e7as dormem e brincam de um lado enquanto outros j\u00e1 se encostam para o sono. Bancos s\u00e3o cama, ch\u00e3o \u00e9 banheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecida pelo Munic\u00edpio. Segundo Cl\u00e1udio Ricardo, titular da Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome (Setra), equipes de abordagem acompanham a popula\u00e7\u00e3o de rua que habita a pra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s n\u00e3o podemos tirar as pessoas de maneira for\u00e7ada. Isso tem que ser um processo de convencimento. Tem que ofertar os servi\u00e7os, as alternativas. Vamos focar nossa aten\u00e7\u00e3o na quest\u00e3o da Pra\u00e7a do Ferreira\u201d, garantiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Saiba mais<br \/>\n<\/strong><strong>Conforme\u00a0<\/strong>o secret\u00e1rio Cl\u00e1udio Ricardo, muitas das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua j\u00e1 passaram pelo Centro de Refer\u00eancia Especializado para Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua, o Centro Pop, e algumas chegaram a receber aluguel social. \u201cMuita gente faz quest\u00e3o de permanecer na rua. N\u00f3s estamos trabalhando para ordenar o m\u00e1ximo poss\u00edvel. Parece que ali h\u00e1 uma certa organiza\u00e7\u00e3o do movimento pra chamar a aten\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De acordo\u00a0<\/strong>com Cl\u00e1udio, em agosto, a pra\u00e7a deve ser a primeira a receber uma a\u00e7\u00e3o intersetorial do Munic\u00edpio com foco na popula\u00e7\u00e3o de rua. Servi\u00e7os de sa\u00fade e assist\u00eancia social devem ser ofertados. Na ocasi\u00e3o, deve ser instalado o Comit\u00ea Municipal de Pol\u00edticas P\u00fablicas para a Popula\u00e7\u00e3o de Rua, anuncia o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>Fonte <span style=\"color: #3366ff;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/opovo\/cotidiano\/2014\/07\/26\/noticiasjornalcotidiano,3287973\/a-praca-como-moradia.shtml\"><span style=\"color: #3366ff;\">Jornal O Povo<\/span><\/a><\/strong><\/span> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o com\u00e9rcio do Centro adormece, dormem na Pra\u00e7a do Ferreira diversas vidas e hist\u00f3rias que t\u00eam a rua como morada. Popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua da Capital \u00e9 estimada em cerca de 5 mil pessoas.<br \/>\n\u00c0 noite, a Pra\u00e7a do Ferreira abriga moradores de rua. 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